UNICEF afirma que 600 escolas foram saqueadas ou destruídas no conflito da RD Congo este ano

Cerca de 250 escolas foram ocupadas ou saqueadas durante os confrontos recentes na República Democrática do Congo (RDC), elevando para 600 o número de unidades de ensino afetadas pelo conflito somente neste ano. O dado foi divulgado nesta segunda-feira (10) pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). Pelo menos 240 mil estudantes perderam semanas de aula desde abril.

Muitas das pessoas que fugiram dos confrontos de novembro entre o Exército nacional e o grupo armado Movimento 23 de Março (M23) em Kivu do Norte encontraram abrigo em escolas que eram usadas como cozinhas, refeitórios, dormitórios, quarteis ou locais de armazenamento de munição.

Segundo o UNICEF, em quase todas as salas de aula afetadas pelo conflito, os móveis foram parcialmente danificados ou completamente destruídos. Livros didáticos e bancos escolares têm sido queimados.

“Trazer as crianças de volta para a escola é essencial para protegê-las, especialmente em tempos conturbados”, declarou a Representante do UNICEF na RDC, Barbara Bentein. “Quando não estão na escola, crianças de Kivu do Norte ficam mais expostas ao risco de serem exploradas, abusadas e até mesmo recrutadas.”

O M23 ocupou a capital de Kivu do Norte, Goma, por 11 dias em novembro. A retirada segue os termos do comunicado da Conferência Internacional da Região dos Grandes Lagos, que restringe a permanência do grupo a uma zona de 20 km ao redor de Goma e exige o fim da atividade militar enquanto os países africanos buscam uma solução de longo prazo.

De acordo com a Missão de Estabilização da ONU na RDC (MONUSCO), apesar da trégua, a situação continua frágil.

O UNICEF informou que crianças e professores estão agora voltando vagarosamente para as unidades de ensino e que kits escolares foram distribuídos por instituições parceiras na semana passada. Até o fim do ano, 80 mil crianças de Kivu do Norte receberão o material.