UNICEF afirma que 2017 foi ano ‘horrível’ para crianças no Iêmen

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As crianças do Iêmen não poderiam ter tido um ano pior, disse uma oficial do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) na terça-feira (26). Somente em dezembro, mais de 80 crianças morreram ou ficaram feridas no país, enquanto milhões enfrentam risco de cólera, fome, interrupção nos serviços de saúde e bloqueios da entrega de itens essenciais.

Representante do UNICEF no Iêmen, Meritxell Relaño, checa menino desnutrido em hospital de Sanaa, capital do Iêmen. Foto: UNICEF

Representante do UNICEF no Iêmen, Meritxell Relaño, checa menino desnutrido em hospital de Sanaa, capital do Iêmen. Foto: UNICEF

As crianças do Iêmen não poderiam ter tido um ano pior, disse uma oficial do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) na terça-feira (26). Somente em dezembro, mais de 80 crianças morreram ou ficaram feridas no país, enquanto milhões enfrentam risco de cólera, fome, interrupção nos serviços de saúde e bloqueios da entrega de itens essenciais.

“Dois mil e dezessete foi um ano horrível para as crianças do Iêmen”, disse a representante do UNICEF no país, Meritxell Relaño, em entrevista ao UN News por telefone direto da capital iemenita, Sanaa.

Ela pediu uma solução política para o conflito e alertou que sem isso muitas crianças mais irão morrer. A representante do UNICEF contou a história de uma iemenita que conheceu em um hospital de Aden, cujo filho de 7 anos estava à beira da morte.

“Ele era pele e osso. Perguntei por que eles não tinham ido mais cedo ao hospital, e a mãe me disse que não podia pagar a viagem de ônibus. O nível de pobreza das famílias atingiram agora níveis insustentáveis”, declarou.

Para atender esse tipo de necessidade, a representante do UNICEF lembrou que cerca de 1,3 milhão de famílias, ou cerca de 8 milhões de pessoas, estão sendo atendidos pela ajuda de emergência como parte de um projeto coordenado pela agência da ONU com o Banco Mundial.

Ela também elogiou os esforços bem sucedidos de vacinação e implementação de uma campanha de imunização contra a poliomelite este ano, beneficiando 5 milhões de crianças e fornecendo tratamento para 200 mil delas com desnutrição aguda.

Casos de suspeita de cólera no Iêmen ultrapassam 1 milhão

O número total de casos de suspeita de cólera no Iêmen ultrapassou 1 milhão, disse a Organização Mundial da Saúde (OMS) na semana passada (22), pedindo mais esforços para combater o surto e lidar com a deterioração da situação de saúde no país.

“A epidemia ainda não acabou e mais esforços são necessários para garantir que esteja controlada no curto prazo e evitar que ocorra novamente no futuro próximo”, disse o porta-voz da OMS, Tarik Jašarevic, em coletiva de imprensa em Genebra, na Suíça.

Respondendo ao surto ocorrido no fim de abril, a OMS estabeleceu centros de tratamento, forneceu suprimentos, funcionários treinados e trabalhou com as comunidades locais para prevenir a doença.

Esses esforços significaram dezenas de milhares de vidas salvas. De acordo com a OMS, 99,7% das pessoas que tiveram suspeita de cólera e puderam acessar os serviços de saúde sobreviveram.

Com seus sistemas de saneamento e saúde ruindo, o Iêmen está registrando também uma disseminação da difteria, que afetou 18 de suas 22 províncias. Cerca de 333 casos diagnosticados (a maior parte nas províncias de Ibb e Hodeida) foram confirmados.

A difteria, uma doença altamente infecciosa que afeta garganta e as vias aéreas, pode ser prevenida com vacinas e tratada com antibióticos. Mas a falta de remédios no país significa que o número de casos pode aumentar.

Médico atende menina com cólera em hospital de Sanaa, no Iêmen. Foto: UNICEF

Médico atende menina com cólera em hospital de Sanaa, no Iêmen. Foto: UNICEF

Portos iemenitas devem permanecer abertos para ajuda humanitária

Com aproximadamente três quartos da população iemenita precisando de apoio humanitário, as Nações Unidas enfatizaram a necessidade de o país manter seus portos abertos para embarcações comerciais e de ajuda.

“Permaneço profundamente preocupado com a crise em andamento no Iêmen, onde mais de 22 milhões de pessoas precisam de ajuda humanitária — 8,4 milhões delas, passando fome”, disse Mark Lowcock, coordenador humanitário da ONU, em comunicado publicado no domingo (24).

O conflito no país, que entra em seu terceiro ano, resultou em fome disseminada, desnutrição, deslocamento interno, maior epidemia de cólera do mundo, um alarmante surto de difteria e outros desafios humanitários.

Em meio à situação, é essencial que os alimentos comerciais, remédios e as importações de combustíveis continuem fluindo para dentro de todos os portos do país, salientou o coordenador humanitário da ONU.

As importações de alimentos são necessárias para manter a comida disponível e acessível em mercados pelo país, e o combustível é essencial para geradores nos hospitais e unidades de saúde.

Além disso, suprimentos de ajuda são frequentemente enviados em embarcações comerciais, sendo ainda mais importante manter todos os portos abertos para ambos os tipos de embarcações, acrescentou.

“Estou comprometido a trabalhar com todos os atores para atingir esse objetivo com urgência, e estou ansioso para ver a estabilização das importações comerciais de suprimentos essenciais em um nível adequado”, afirmou.


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