UNICEF: 29 milhões de bebês nasceram em áreas de conflito em 2018

Mais de 29 milhões de bebês nasceram em áreas afetadas por conflitos armados em 2018, disse o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) nesta sexta-feira (20). A violência armada em países como Afeganistão, Iêmen, Síria, Somália e Sudão do Sul significou que, durante o ano passado, ao menos um em cada cinco bebês em todo o mundo passou seus primeiros momentos em comunidades afetadas por conflitos, muitas vezes em ambientes profundamente inseguros e altamente estressantes.

“Todos os pais e mães deveriam poder valorizar os primeiros momentos do seu bebê, mas, para milhões de famílias que vivem em meio a conflito, a realidade é muito mais sombria”, disse Henrietta Fore, diretora-executiva do UNICEF.

Quando crianças pequenas experimentam eventos adversos e traumáticos prolongados ou repetidos, o sistema de gerenciamento de estresse do cérebro é ativado sem pausas, causando “estresse tóxico”. Com o tempo, as substâncias químicas do estresse quebram as conexões neurais existentes e inibem a formação de novas, levando a consequências duradouras para o aprendizado, o comportamento e a saúde física e mental das crianças.

Quando o conflito armado começou no Iêmen, em 2015, o país já era considerado um dos mais pobres do mundo. Foto: PMA/Reem Nada

Quando o conflito armado começou no Iêmen, em 2015, o país já era considerado um dos mais pobres do mundo. Foto: PMA/Reem Nada

Mais de 29 milhões de bebês nasceram em áreas afetadas por conflitos armados em 2018, disse o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) nesta sexta-feira (20). A violência armada em países como Afeganistão, Iêmen, Síria, Somália e Sudão do Sul significou que, durante o ano passado, ao menos um em cada cinco bebês em todo o mundo passou seus primeiros momentos em comunidades afetadas por conflitos, muitas vezes em ambientes profundamente inseguros e altamente estressantes.

“Todos os pais e mães deveriam poder valorizar os primeiros momentos do seu bebê, mas, para milhões de famílias que vivem em meio a conflito, a realidade é muito mais sombria”, disse Henrietta Fore, diretora-executiva do UNICEF.

“Em países do mundo todo, conflitos violentos limitam severamente o acesso a serviços essenciais para pais, mães e seus bebês. Milhões de famílias não têm acesso a alimentos nutritivos, água potável, saneamento, ou um ambiente seguro e saudável para crescer e criar laços. Junto com o perigos imediatos e óbvios, os impactos a longo prazo desse início de vida são potencialmente catastróficos.”

Quando crianças pequenas experimentam eventos adversos e traumáticos prolongados ou repetidos, o sistema de gerenciamento de estresse do cérebro é ativado sem pausas, causando “estresse tóxico”. Com o tempo, as substâncias químicas do estresse quebram as conexões neurais existentes e inibem a formação de novas, levando a consequências duradouras para o aprendizado, o comportamento e a saúde física e mental das crianças.

“Algumas crianças pequenas que vemos tremem de medo, incontrolavelmente, por horas a fio. Elas não dormem. Você pode ouvi-las choramingando, não é um choro comum, mas um gemido frio e fraco. Outras estão tão desnutridas e traumatizadas que se separam emocionalmente do mundo e das pessoas ao seu redor, o que as torna ausentes e impossibilita a interação com suas famílias”, disse pessoa que trabalha no UNICEF no Iêmen.

“Meu filho de 5 anos, Heraab, encontra-se em uma comunidade onde é constantemente exposto a sons de explosões, cheiro de fumaça, acompanhado pelo som regular de sirenes, seja policial ou de ambulância, ou buzinas persistentes de carros e motos levando os feridos para o hospital. Ele estremece e acorda à noite se um caminhão passa em alta velocidade, às vezes balançando as janelas da nossa casa, pensando que deve ser outro ataque”, declarou outra pessoa que trabalha no UNICEF no Afeganistão.

“Algumas crianças têm medo e parecem muito ansiosas, outras são muito agressivas. Elas têm medo dos visitantes e fogem quando veem os veículos que chegam. Os carros lembram combates, armas de guerra das quais precisam fugir”, disse pessoa que trabalha no UNICEF na Somália.

“Viajei para as áreas mais difíceis de se alcançar do Sudão do Sul para ajudar a fornecer assistência humanitária a crianças que foram forçadas a fugir de suas aldeias por causa da violência. Sem serviços básicos, instalações de saúde, saneamento precário, comida e trauma profundo, as famílias lutam para sobreviver. Eu vejo desespero nos olhos das crianças que conheço. O conflito acabou com a infância”, afirmou pessoa que trabalha no UNICEF no Sudão do Sul.

Este ano marca o 30º aniversário da histórica Convenção sobre os Direitos da Criança, na qual, entre outras coisas, os governos se comprometeram a proteger e cuidar de crianças afetadas por conflitos. No entanto, hoje, mais países estão envolvidos em conflitos internos ou internacionais do que em qualquer outro momento nas últimas três décadas, ameaçando a segurança e o bem-estar de milhões de crianças. Hospitais, centros de saúde e espaços adequados para crianças – todos os quais prestam serviços críticos a pais, mães e bebês – foram alvo de ataques em conflitos em todo o mundo nos últimos anos.

Proporcionar espaços seguros para as famílias e suas crianças pequenas vivendo em conflito – onde as crianças podem usar a brincadeira e o aprendizado precoce como saída para alguns dos traumas que sofreram – e fornecer apoio psicossocial às crianças – e suas famílias – são partes críticas da resposta humanitária do UNICEF.

Quando os cuidadores recebem o apoio de que precisam para lidar e processar o trauma, eles têm a melhor chance possível de fornecer a suas crianças pequenas os cuidados necessários para o desenvolvimento saudável do cérebro – agindo como um “amortecedor” do caos ao redor delas.

“Pais e mães que interagem com seus bebês podem ajudar a protegê-los dos efeitos neurológicos negativos do conflito. No entanto, em tempos de conflito, pais e mães frequentemente ficam sobrecarregados”, disse Fore. “Em última análise, o que essas famílias precisam é de paz, mas, até que a consigam, elas precisam desesperadamente de mais apoio para ajudá-las e suas crianças a lidar com a devastação que enfrentam – 29 milhões de novas vidas e futuros dependem disso.”