UNICEF: 165 mil crianças estão ameaçadas pela fome no Mali

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Uma crise de nutrição – agravada pela violência contínua, instabilidade e deslocamento – está colocando em risco a vida e o futuro de milhares de crianças no Mali, alertou o Fundo das Nações unidas para a Infância (UNICEF) nesta semana.

Mãe alimenta sua filha de 13 meses, que sofre de desnutrição aguda grave, com suprimento alimentar, no centro de saúde Bellafarendi, no Mali. Foto: OMS / Harandane Dicko

Mãe alimenta sua filha de 13 meses, que sofre de desnutrição aguda grave, com suprimento alimentar, no centro de saúde Bellafarendi, no Mali. Foto: OMS / Harandane Dicko

Uma crise de nutrição – agravada pela violência contínua, instabilidade e deslocamento – está colocando em risco a vida e o futuro de milhares de crianças no Mali, alertou o Fundo das Nações unidas para a Infância (UNICEF) nesta semana (9).

Um relatório mostra que, até 2018, aproximadamente 165 mil crianças sofrerão de desnutrição aguda grave no país.

“Por trás desses números estão as vidas das meninas e meninos mais vulneráveis, e esquecidos, do Mali”, disse Lucia Elmi, representante do UNICEF.

“Precisamos fornecer tratamento para salvar as vidas dessas crianças e garantir que cada uma delas possa se recuperar totalmente”, disse Elmi. “Ao mesmo tempo, precisamos investir nos primeiros mil dias de vida das meninas e meninos, que são os mais críticos, para diminuir, em primeiro lugar, o risco do surgimento desnutrição aguda.”

A taxa de desnutrição aguda em crianças menores de cinco anos de idade tem alcançado níveis críticos nas áreas de Timbuktu e Gao – ambas afetadas por conflitos –, enquanto o índice nacional continua muito alto.

O relatório mostra que a desnutrição aguda em crianças de Timbuktu e Gao aumentou, chegando a 15,7% e 15,2% respectivamente. Na escala de classificação da Organização Mundial da Saúde (OMS), o alarmante aumento fez com que o nível passe de “sério” a “crítico”.

Níveis de desnutrição aguda graves também foram registrados nas regiões de Kayes (14,2%) e Taoudéni (14,3%). O índice nacional atual é de 10,7%.

Crianças que sofrem de malnutrição aguda grave mostram perdas severas de massa muscular, registrando pesos extremamente baixos para sua altura, e correm um risco nove vezes mais alto de morrer devido a doenças decorrentes de imunodeficiência.

Desde à crise política e de segurança que afeta o Mali desde 2012, a violência e a instabilidade têm levado a deslocamentos populacionais e à interrupção de serviços sociais no norte do país, com impacto prejudicial na condição nutricional das meninas e meninos mais vulneráveis. Outros fatores – como acesso limitado a água e saneamento em zonas do norte – e doenças na infância – como diarreia, infecções respiratórias agudas e malária – têm agravado a situação.

O investimento de esforços nos primeiros mil dias da vida de uma criança, por meio da promoção de práticas como a amamentação exclusiva nos primeiros seis meses e a manutenção da higiene pessoal, pode prevenir a desnutrição de forma eficiente.


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