UNICEF: 1,6 milhão de crianças precisam de assistência humanitária um mês após ciclone Idai

Um mês após a passagem do ciclone Idai pelo sudeste da África, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) afirmou na segunda-feira (15) que pelo menos 1,6 milhão de crianças precisam de assistência urgente em Moçambique, Malauí e Zimbábue. Ajuda humanitária deve incluir serviços de saúde, nutrição, proteção, educação, água e saneamento.

Nilda Alberta Massuve, de seis anos, recebe um kit de educação, distribuído pelo UNICEF e seus parceiros na cidade de Beira, em Moçambique. Foto: UNICEF/Oatway

Nilda Alberta Massuve, de seis anos, recebe um kit de educação, distribuído pelo UNICEF e seus parceiros na cidade de Beira, em Moçambique. Foto: UNICEF/Oatway

Um mês após a passagem do ciclone Idai pelo sudeste da África, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) afirmou na segunda-feira (15) que pelo menos 1,6 milhão de crianças precisam de assistência urgente em Moçambique, Malauí e Zimbábue. Ajuda humanitária deve incluir serviços de saúde, nutrição, proteção, educação, água e saneamento.

O organismo da ONU ressaltou que qualquer interrupção prolongada no acesso a serviços essenciais pode levar a surtos de doenças e picos de desnutrição. Crianças são especialmente vulneráveis a ambos os problemas. Em Moçambique, por exemplo, os casos de cólera e malária entre a população geral aumentaram para 4,6 mil e 7,5 mil, respectivamente, desde que o ciclone atingiu o país africano.

Na sequência do Idai, o UNICEF lançou um apelo orçamentário de 122 milhões de dólares para apoiar a população dos três países afetados ao longo dos próximos nove meses. De acordo com a agência das Nações Unidas, 1 milhão de crianças moçambicanas precisam de assistência humanitária. No Malauí, o número é estimado em 443 mil. No Zimbábue, são 130 mil meninos e meninas.

O organismo internacional expressou preocupação com o acesso a serviços básicos entre as mais de 130 mil crianças que permanecem deslocadas por conta do desastre natural. A maioria delas está em território moçambicano e malauiense. Mais de 200 mil casas foram destruídas pelo Idai em Moçambique.

“As crianças que vivem em abrigos lotados ou longe de suas casas correm risco de doenças, exploração e abuso”, alertou a diretora-executiva do UNICEF, Henrietta Fore, que visitou a cidade de Beira imediatamente após a tempestade.

“O caminho para a recuperação será longo. É imperativo que os parceiros humanitários estejam presentes em cada etapa do caminho. Precisamos ajudar crianças e famílias para que sobrevivam e, depois, retomem sua vida.”

Nos três países, as águas da enchente já recuaram e algumas famílias começaram a voltar para suas casa. No entanto, milhares de cidadãos continuam nos campos de evacuação porque suas residências foram danificadas ou destruídas. A disponibilidade de alimentos é outro ponto crítico porque o ciclone destruiu plantações semanas antes da colheita.

Saiba o que o UNICEF está fazendo para responder às necessidades urgentes de crianças e suas famílias:

  • Moçambique: o UNICEF forneceu vacinas para imunizar, com sucesso, 900 mil pessoas contra a cólera, iniciou a distribuição de 500 mil mosquiteiros para proteger as crianças da malária e ajudou a restaurar o abastecimento de água para 500 mil pessoas na cidade de Beira. Para as próximas semanas, estão planejadas campanhas de vacinação contra sarampo, iniciativas de eliminação de parasitas e reforços de vitamina A. O UNICEF também está apoiando a criação de várias clínicas de saúde nas áreas de reassentamento;
  • Malauí: O UNICEF está oferecendo caminhões-pipa, banheiros e espaços “amigos da criança” nos centros de evacuação, bem como remédios e clínicas móveis, kits de educação e recreação e professores voluntários. Desde que o ciclone atingiu o Malauí, o UNICEF forneceu água potável para mais de 53 mil pessoas e banheiros para mais de 51 mil indivíduos;
  • Zimbábue: o UNICEF está distribuindo kits de higiene, reparando sistemas de água e instalações de saneamento, fornecendo suprimentos vitais de saúde e nutrição e trabalhando com parceiros para fornecer apoio psicossocial a crianças vulneráveis em espaços “amigos da criança”. O UNICEF divulgou, para mais de 60 mil pessoas, informações essenciais sobre como prevenir doenças transmitidas pela água e, a partir desta segunda-feira, lançou uma campanha de vacinação contra a cólera em parceria com o Ministério da Saúde e Assistência à Criança do Zimbábue e a Organização Mundial da Saúde (OMS), a fim de proteger mais de 480 mil pessoas.

Para apoiar os esforços do UNICEF, é possível fazer uma doação para a agência da ONU — clique aqui.