UNICEF: 1,4 bilhão de dólares são necessários para levar educação a 4 milhões de crianças sírias

UNICEF e parceiros vão solicitar essa verba a doadores na quinta-feira (4), numa conferência em Londres. Recursos vão garantir assistência para jovens na Síria e em países anfitriões. Na Síria, uma em cada quatro escolas está sem funcionar por conta da guerra.

Crianças aguardam distribuição de assistência na região de Azzas, no norte da Síria. Foto: ACNUR / A. Solumsmoen

Crianças aguardam distribuição de assistência na região de Azzas, no norte da Síria. Foto: ACNUR / A. Solumsmoen

Para levar educação a quatro milhões de crianças na Síria e em comunidades anfitriãs, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e organizações parceiras vão se reunir com doadores e representantes dos Estados-membros em Londres, nesta quinta-feira (4), a fim de solicitar uma verba de 1,4 bilhão de dólares. Embora, em 2015, a assistência internacional tenha oferecido a mais de um milhão de jovens, na Síria, oportunidades de ensino formal e informal, desafios persistem. No país em conflito, 2,1 milhões de crianças estão fora da escola.

Nas nações que recebem refugiados sírios, como a Turquia, o Líbano, a Jordânia, o Iraque e o Egito, estima-se que 700 mil jovens não frequentem centros educacionais. Para evitar o abandono escolar e garantir a educação das crianças e adolescentes deslocados, o UNICEF conta com a iniciativa “Sem Geração Perdida”, criada em 2013. No ano passado, o programa alcançou 1,8 milhão de jovens nessas nações anfitriãs e na Síria, construindo locais de ensino, distribuindo material escolar e transferindo renda.

“Como um resultado de todo o trabalho sendo feito por parceiros e doadores, a educação e a proteção para as crianças estão sendo priorizadas agora. Mas o que nós temos que ver em Londres é uma mudança radical, necessária para levar todas as crianças de volta à aprendizagem, para proteger os que estão em risco de abandonar (as escolas), para expandir ambientes de ensino seguros e inclusivos, para recrutar e treinar mais professores, para melhorar a qualidade da educação e apoiar o desenvolvimento de habilidades técnicas, vocacionais e de vida para a juventude”, afirmou o diretor regional do UNICEF, Peter Salama.

Em Londres, os Estados-membros serão pressionados não apenas a aumentar suas contribuições financeiras, mas também a cobrar das partes do conflito sírio que suspendam ataques a escolas e outros locais de ensino. Uma a cada quatro escolas na Síria não pode ser usada porque teria sido destruída, danificada ou estaria sendo usada como abrigo para deslocados ou para fins militares. Segundo o UNICEF, assassinatos, sequestros e detenções de alunos e professores se tornaram um lugar-comum no país.