UNIC Rio participa de encerramento do Segundo Estágio de Operações de Paz para Mulheres

O Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio) participou na sexta-feira (22) do encerramento Segundo Estágio de Operações de Paz para Mulheres no Centro de Instrução Almirante Sylvio de Camargo (CIASC), na capital fluminense.

O diretor do UNIC Rio, Maurizio Giuliano, promoveu na ocasião um debate sobre a importância da atuação de mulheres em operações de paz das Nações Unidas. Participaram do evento militares da Marinha do Brasil, além de oficiais de Corpo de Bombeiros do estado do Rio de Janeiro e acadêmicas civis.

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O Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio) participou na sexta-feira (22) do encerramento Segundo Estágio de Operações de Paz para Mulheres no Centro de Instrução Almirante Sylvio de Camargo (CIASC), na capital fluminense.

O diretor do UNIC Rio, Maurizio Giuliano, promoveu na ocasião um debate sobre a importância da atuação de mulheres em operações de paz das Nações Unidas. Participaram do evento militares da Marinha do Brasil, além de oficiais de Corpo de Bombeiros do estado do Rio de Janeiro e acadêmicas civis.

As estudantes discutiram como elas podem trazer novas perspectivas para a atuação das forças de paz em meio a conflitos, contribuindo para facilitar negociações e o contato com populações locais.

As alunas também debateram preocupações mais amplas de gênero, como divisão de tarefas domésticas e emancipação salarial. Esse tema levou a uma discussão sobre como combater as desigualdades e as opressões contra as mulheres, via estabelecimento de leis e sanções e estímulo à participação no mercado de trabalho.

O diretor do UNIC Rio também expôs a agenda do Planeta 50-50 e a preocupação da ONU em garantir uma participação igualitária como um imperativo: “é necessário porque é justo”. Giuliano também abordou a Resolução 1325 do Conselho de Segurança sobre a participação das mulheres na construção e manutenção da paz.

Em depoimento, uma das participantes contou sua própria experiência profissional no atendimento a comunidades ribeirinhas. Segundo ela, crianças locais tiveram mais facilidade de reportar abusos e violações para as oficiais mulheres, contribuindo para o sucesso do atendimento.

Além disso, as oficiais também podem ter mais facilidade de dialogar com mulheres marginalizadas. “Quando as mulheres não são emancipadas na sociedade, ou são apenas emancipadas mas não devidamente empoderadas, este é um dos inimigos que temos que enfrentar”, disse Giuliano.

“É um inimigo que não se enfrenta com armas, mas dando o exemplo e com diálogo. Ter mulheres em posições importantes dos lados civil e militar é um exemplo de que as mulheres podem realizar as mesmas tarefas”.

Outro tópico de discussão foi o papel da mulher na inteligência militar, o que é especialmente relevante em situações em que o uso da força se mostra necessário. Giuliano falou de sua própria experiência trabalhando com oficiais mulheres do setor de inteligência da Missão Multidimensional Integrada das Nações Unidas para a Estabilização do Mali (MINUSMA).

O diretor conversou, também, sobre como as mulheres podem ter mais atenção para preocupações específicas das mulheres locais em situações humanitárias.  Elas podem entender melhor por que os poços de água não podem estar localizados longe dos acampamentos ou aldeias em uma região onde a violência sexual é um risco, por exemplo.  “É importante envolvê-las nos três pilares da proteção de civis”, disse Giuliano.

Também houve questionamentos das participantes sobre assédio sexual e abusos cometidos por pessoal militar ou civil da ONU. O diretor do UNIC Rio falou, então, sobre medidas a serem tomadas nestes casos, enfatizando que as Nações Unidas têm política de tolerância zero a esses crimes, e que a maior participação de mulheres contribui para combater todas as formas de violência de gênero.

No período da tarde, a conselheira Viviane Rios, do Ministério das Relações Exteriores, fez uma exposição sobre a agenda “Mulheres, Paz e Segurança” a partir do ponto de vista da política externa brasileira.

Sua fala abordou o papel estratégico da participação do Brasil em operações de manutenção da paz como uma política de Estado, considerando laços geográficos, sociais e relações diplomáticas.

Ela chamou a atenção para o reconhecimento positivo que as Forças Armadas brasileiras têm no âmbito internacional por serem bem treinadas, equipadas e disciplinadas e pelo sucesso que tiveram em missões como MINUSTAH (Haiti), MONUSCO (República Democrática do Congo), MINUSCA e UNIFIL (Líbano).

A conselheira fez um histórico da participação das mulheres brasileiras nas Nações Unidas, desde a diplomata Bertha Lutz e seu protagonismo para garantir a igualdade de gênero na Carta da ONU até participações mais recentes como a da embaixadora Maria Luisa Viotti – primeira mulher brasileira a presidir o Conselho de Segurança.

Sua fala endossou a participação de mulheres como um meio para facilitar a cooperação e mediação de conflitos, bem como fortalecer projetos de sanções e prevenção à violência e exploração sexual.

Ela apresentou também o “Plano Nacional de Ação: Mulheres Paz e Segurança”, que se baseia na participação, prevenção e proteção, consolidação da paz e cooperação humanitária, sensibilização, engajamento e aprofundamento.

O comandante geral dos Fuzileiros Navais, Almirante Alexandre, fez o discurso de encerramento do curso, louvando a iniciativa e assegurando o interesse da Marinha do Brasil em continuar colaborando com a agenda “Mulheres, Paz e Segurança”, planeta 50-50 e a participação brasileira em operações de paz.

O diretor do UNIC Rio participou da cerimônia de formatura como paraninfo, junto aos oficiais do CIASC, da conselheira Viviane Rios e da professora Najla Nassif Palma.