UNFPA vai participar de planejamento da Década Internacional de Afrodescendentes na Bahia

Fundo de População das Nações Unidas participou pela primeira vez, nesta semana, do grupo de trabalho que reúne secretarias estaduais da Bahia e organizações da sociedade civil. Violência de gênero, intolerância religiosa e diálogo com a população foram destaques do encontro.

UNFPA vai participar da elaboração de estratégias e iniciativas da Década Estadual Afrodescendente da Bahia. Foto: Flickr / Andrea Moroni (CC)


UNFPA vai participar da elaboração de estratégias e iniciativas da Década Estadual Afrodescendente da Bahia. Foto: Flickr / Andrea Moroni (CC)

Na segunda-feira (11), o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) participou pela primeira vez do grupo de trabalho que reúne secretarias da Bahia e organizações da sociedade civil responsáveis pelas ações da Década Estadual Afrodescendente, organizada no âmbito da Década Internacional de Afrodescendentes da ONU. A agência das Nações Unidas passará a integrar a elaboração de estratégias para a promoção dos direitos da população negra.

Durante o encontro, a chefe de Gabinete da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (SEPROMI), Fabya Reis, destacou a necessidade de estabelecer parcerias e escutar as exigências da sociedade baiana.

“Assim, teremos as condições de elaborar um plano efetivo, levando em conta a leitura da realidade atual, preocupações, anseios e demandas. Enquanto governo, não podemos prescindir deste diálogo, que orientará o conjunto das ações”, disse.

O representante da Coordenação Nacional de Entidades Negras (CONEN), Gilberto Leal, enfatizou que é preciso avaliar resultados concretos das políticas públicas dos últimos anos.

“As ações devem partir do monitoramento de indicadores daquilo que já foi realizado. Programas federais e locais são elementos a partir dos quais podem ser construídas novas iniciativas para a promoção (dos direitos) da população negra”, afirmou, propondo também articulações com organismos internacionais.

O encontro desta segunda-feira buscou levantar propostas e formalizar parcerias, além de construir um plano estratégico orientado para os eixos “reconhecimento, justiça e desenvolvimento”. Além da SEPROMI, também participaram representantes das pastas estaduais de Cultura, Educação, Trabalho, Emprego, Renda e Esporte e Segurança Pública.

Para a integrante da Rede de Mulheres Negras (Bahia/Nordeste), Lindinalva de Paula, o enfrentamento à violência é uma das principais pautas dos movimentos que lutam pelos direitos específicos dos negros e mulheres. “Propomos um novo pacto civilizatório, de desenvolvimento, pelo bem viver das mulheres”, explicou, citando o feminicídio e a mortalidade materna como os maiores problemas enfrentados.

Para o UNFPA – que está começando agora a participar do planejamento das iniciativas da Década no estado –, ”a ideia, neste momento, é conhecer o que já está sendo feito pela Bahia para avançarmos na parceria. Pra gente, é importante um trabalho em conjunto que possa somar aos esforços já em curso”, explicou a oficial de projeto em Gênero e Raça da agência da ONU, Ana Claudia Pereira.

O organismo planeja elaborar e executar junto à SEPROMI programas na área de combate às desigualdades raciais. O UNFPA atua no Brasil desde 1973, colaborando com governos e organizações civis na formulação e acompanhamento de políticas sobre população e desenvolvimento, também contemplando instituições acadêmicas e movimentos sociais.

Também presente no evento, a yalorixá e vice-presidente do Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra (CDCN), Jaciara Ribeiro, ressaltou que a intolerância religiosa é outro ponto a ser priorizado pelas ações da Década.

“Os crimes de ódio religioso estão crescendo. Temos vivido um cenário de ataques às religiões de matriz africana, por exemplo, e precisamos caminhar no tratamento a estes casos. Políticas públicas e campanhas de conscientização devem ser executadas”, exigiu.

A representante do CDCN lembrou que organismos governamentais que já lidam com o tema na Bahia. Na capital, o Centro de Referência de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa Nelson Mandela conduz programas voltados para a mesma área.