UNFPA vai atuar em Pernambuco e Bahia na resposta ao zika

Atividades incluem orientação sobre direitos e acesso aos serviços, bem como ações e insumos contraceptivos para aquelas que optarem por adiar a gravidez, evitando assim os riscos associados à síndrome congênita do vírus zika, como a microcefalia.

Bebês que nascem com microcefalia requerem atendimento específico e continuado. Foto: UNICEF/BRZ/Ueslei Marcelino

Bebês que nascem com microcefalia requerem atendimento específico e continuado. Foto: UNICEF/BRZ/Ueslei Marcelino

Como parte da resposta do Sistema ONU no Brasil ao vírus zika, o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) vai atuar em comunidades de Pernambuco e da Bahia, dois dos estados mais afetados pela epidemia.

O trabalho será desenvolvido em parceria com organizações e redes da sociedade civil, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e outras instituições de governo e vai beneficiar principalmente mulheres, jovens e afrodescendentes que vivem em contextos de maior vulnerabilidade social.

A equipe do UNFPA esteve reunida com entidades parceiras para fazer o planejamento das atividades no último dia 17 em Salvador (BA) e no dia 18 em Recife (PE). A Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE), sediada em de Salvador, será a entidade implementadora do projeto, mas as ações nos territórios serão desenvolvidas pelas demais organizações parceiras.

Os coletivos irão trabalhar para mobilizar as comunidades e ampliar o acesso à informação sobre o zika e seus efeitos sobre a saúde das mulheres, com um enfoque em direitos e no planejamento voluntário da vida reprodutiva.

Maternidade em tempos de Zika

Daniela estava no terceiro mês de gravidez quando teve sintomas de #Zika. Naquela época, a #Microcefalia não era ainda associada ao vírus. Mesmo assim, ela sentiu que a doença poderia prejudicar sua gravidez. Depois de cinco meses, a ansiedade com a chegada do bebê só aumentou. Ela já tinha um filho de nove anos de idade e sonhava com uma menina. Daniela fez três exames pré-natais, mas apenas no último exame de ultrassom, realizado no oitavo mês de gravidez, é que a microcefalia foi notada. Durante esse período, o surto já era conhecido e Daniela percebeu que ela havia se tornado parte de uma estatística global para a qual não estava preparada.Conheça a estória de Daniela em http://bit.ly/DireitosSexuaiseReprodutivosCombatemZika#DireitosSexuais | #DireitosReprodutivos | #ZikaZero | #CombateZika

Publicado por UNFPA Brasil em Terça, 22 de março de 2016

 

As atividades incluem orientação sobre direitos e acesso aos serviços, bem como ações e insumos contraceptivos para aquelas que optarem por adiar a gravidez, evitando assim os riscos associados à síndrome congênita do vírus zika, como a microcefalia.

Além do acesso a informação e insumos, haverá ações de educação em saúde e em direitos para jovens lideranças comunitárias; apoio individual e coletivo para mulheres adultas e jovens, casais e famílias em caso de gravidez não planejada, ou em casos de infecção durante a gravidez; e promoção da corresponsabilidade masculina no uso do preservativo e apoio às mulheres durante todo o processo reprodutivo – gravidez, parto e pós-parto.

O projeto prevê também a oferta de informações e materiais que poderão ser utilizados no treinamento da força de trabalho em saúde – em complementação aos materiais já oferecidos pelo Ministério da Saúde e secretarias de Saúde –, trabalhadores/as da educação e da assistência social.

Equipes do UNFPA e Cese reunidos em Salvador. Foto: UNFPA Brasil

Equipes do UNFPA e Cese reunidos em Salvador. Foto: UNFPA Brasil

A ação conta com recursos do governo do Japão e do Fundo Global para Emergências do UNFPA, e faz parte do Marco Estratégico de Resposta Global e Plano de Operações Conjuntas para o Zika, iniciativa liderada pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS) e integrada pelo UNFPA e outras agências da ONU.

No Brasil, o UNFPA também está atuando de forma coordenada com a OPAS/OMS e a ONU Mulheres, em ações de comunicação para aumentar o nível de informação e engajamento da população no combate à epidemia, com foco na saúde e nos direitos das mulheres. As ações estão sendo realizadas com emissoras de rádio e TV, em parceria com a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), e por meio de redes sociais.

Estima-se que a demanda não atendida por contracepção no Brasil seja de aproximadamente 6%, atingindo aproximadamente 3,5 milhões de mulheres em idade fértil.

Segundo a última Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde (PNDS), realizada em 2006, 28,2% dos nascimentos nos cinco anos anteriores à pesquisa não haviam sido planejados e 17% eram indesejados. A maior parte da demanda não atendida ocorre entre mulheres negras, com baixo nível de escolaridade, e entre as residentes no Norte e Nordeste.