UNFPA pede apoio à proteção de mulheres e meninas no Sudão do Sul

Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) está preocupado com relatos de um aumento da violência sexual. Agência da ONU está trabalhando com parceiros para aumentar os esforços no sentido de atender as necessidades imediatas de sobreviventes. UNFPA busca mais recursos para alcançar 3,9 milhões de pessoas que precisam de apoio imediato no Sudão do Sul.

Menina e sua família atravessam a fronteira entre o Sudão do Sul e Uganda. Foto: ACNUR/ Will Swanson

Menina e sua família atravessam a fronteira entre o Sudão do Sul e Uganda. Foto: ACNUR/ Will Swanson

Em meio à continuidade do conflito no Sudão do Sul, o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) informou nesta segunda-feira (8) estar preocupado com relatos de um aumento da violência sexual no país, e pediu mais apoio para proteger a segurança, a saúde e os direitos de mulheres e meninas.

Segundo o UNFPA, mulheres e meninas enfrentam alto risco de sofrer violência sexual durante conflitos, incluindo serem atacadas enquanto buscam alimentos ou lenha, e também quando recorrem ao sexo para sobreviver, se alimentar ou alimentar suas famílias.

O UNFPA está trabalhando com parceiros para aumentar os esforços no sentido de atender as necessidades imediatas de sobreviventes, incluindo atendimento pós-estupro, e reduzir o risco de violência sexual. O apoio nesse trabalho está sendo dado por governos de Dinamarca, Japão e Estados Unidos, informou.

A estimativa do Fundo é de que 300 mil pessoas em Juba necessitem de serviços emergenciais de saúde sexual e reprodutiva nos próximos três meses, incluindo serviços para partos seguros e para evitar e responder à violência baseada em gênero.

Uma ação urgente é necessária para proteger a saúde de mães e recém-nascidos, já que são esperados 3 mil nascimentos em Juba nos próximos três meses. Além disso, cerca de 600 grávidas devem enfrentar complicações na gravidez que demandam serviços de emergência obstétrica e de saúde para salvar suas vidas.

Mesmo antes dos conflitos recentes, a situação já era calamitosa no Sudão do Sul, que tem uma das maiores taxas de mortandade de mães e bebês no mundo. Devido à falta de infraestrutura adequada, apenas 11% dos partos são atendidos por profissionais capacitados.

Nesse cenário, o UNFPA está trabalhando com parceiros e com o apoio de Canadá e Suécia para fornecer serviços de obstetrícia no país.

Outra prioridade é a entrada de suprimentos de saúde reprodutiva e equipamentos. O Fundo está fornecendo kits de emergência para saúde reprodutiva com o objetivo de proteger o direito a serviços de saúde sexual e reprodutiva no país.

Mais de 50 prestadores de serviços foram treinados para lidar com casos de estupro e fornecer apoio psicológico a sobreviventes em cerca de 15 unidades de saúde no país, sendo que a expectativa é expandir esse projeto para 24 unidades no ano que vem, informou o Fundo.

O UNFPA e seus parceiros também estão aumentando a mobilização das comunidades locais para encorajar sobreviventes de estupro a buscar apoio.

Do pedido total do UNFPA de 13,3 milhões de dólares em 2016 para atender 3,9 milhões de pessoas no Sudão do Sul, apenas 3,9 milhões de dólares foram recebidos.

Um mínimo de 996 mil dólares é urgentemente necessário para Juba nos próximos três meses para financiar suprimentos de saúde reprodutiva, apoio ambulatorial, kits de higiene e itens de segurança, tendas e treinamento para voluntários médicos, disse o Fundo.