UNFPA: pandemia cria desafios para produção estatística e coleta de dados populacionais

Promover a discussão entre academia, governo e sociedade civil e discutir o desafio da produção de dados e informações frente ao avanço da pandemia no Brasil. Este foi o objetivo do webinário realizado na semana passada (29) por Associação Brasileira de Estudos Populacionais (ABEP) e Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA).

“Vários países, dentre eles o Brasil, adiaram a realização dos censos demográficos e adaptaram as pesquisas amostrais para a coleta de dados a distância”, lembrou a representante do UNFPA no Brasil, Astrid Bant.

O webinário teve a presença de profissionais do IBGE, IBOPE Inteligência e DATASUS do Ministério da Saúde. Foto: Reprodução/Zoom.us

O webinário teve a presença de profissionais do IBGE, IBOPE Inteligência e DATASUS do Ministério da Saúde. Foto: Reprodução/Zoom.us

Promover a discussão entre academia, governo e sociedade civil e discutir o desafio da produção de dados e informações frente ao avanço da pandemia no Brasil. Este foi o objetivo do webinário realizado na semana passada (29) por Associação Brasileira de Estudos Populacionais (ABEP) e Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA).

Com o tema “O desafio dos dados populacionais no contexto da COVID-19”, mais de 300 pessoas acompanharam a discussão com transmissão ao vivo do canal do UNFPA Brasil no Youtube.

O evento online teve como palestrantes Eduardo Rios-Neto, diretor de Pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE); Jacson Barros, diretor do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (SUS – Datasus/Ministério da Saúde); e Márcia Cavallari Nunes, presidente do IBOPE Inteligência. O encontro foi apresentado e mediado pela representante do UNFPA no Brasil, Astrid Bant.

Para Bant, a pandemia vem exigindo novos esforços para as instituições produtoras de dados. “Estamos acompanhando a rápida evolução da pandemia do novo coronavírus em todo o mundo. Esta forte disseminação do vírus trouxe muitos desafios também para a realização de coleta de dados e para a produção estatística.”

“Vários países, dentre eles o Brasil, adiaram a realização dos censos demográficos e adaptaram as pesquisas amostrais para a coleta de dados a distância”, ressaltou a representante.

O diretor do IBGE Eduardo Rios-Neto comentou o adiamento da realização do Censo Demográfico de 2020 para o ano seguinte. “Foi uma decisão muito difícil, mas por conta da COVID-19, o IBGE retirou do campo toda a coleta presencial.”

Rios-Neto também mencionou que foram tomadas pelo IBGE algumas medidas para dar continuidade às pesquisas em regime de distanciamento social. “Tivemos um esforço muito grande de migrar a coleta presencial da PNAD-contínua para um coleta telefônica. A coleta de março foi concluída e continuaremos dessa forma”.

Para o DATASUS do Ministério da Saúde, o processo de coleta de dados também não tem sido fácil neste período, segundo Barros. “Como estamos na linha de frente, tivemos alguns problema atendendo muitas emergências que surgiram, mas foi um momento para iniciarmos algumas iniciativas, como o TeleSUS, por exemplo, um chatbot para avaliação da saúde e para dúvidas sobre COVID-19”.

O método telefônico também foi uma das soluções do IBOPE inteligência para a coleta de dados, como afirma Márcia Cavallari, CEO do IBOPE Inteligência.

“Algumas pesquisas que estavam em planejamento puderam ser facilmente migradas para o telefone ou online, no entanto, outras pesquisas que exigem maior rigor com metodologias mais complexas foram suspensas e agora estamos aguardando o retorno para dar continuidade a esses projetos”, conclui a CEO.

A cada semana, a série “População e Desenvolvimento em Debate” promovida por UNFPA e ABEP realizará discussões entre academia, governo e sociedade civil sobre temas emergentes na Agenda de População e Desenvolvimento aliado ao contexto atual. Na próxima edição, o webinário abordará o tema “Violência de gênero e a COVID-19: evidências, vigilância e atenção”.