UNFPA: jovens estão preocupados com saúde da família, futuro e educação na pandemia

Pesquisa realizada pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) com jovens no oeste do Paraná mostrou que a principal preocupação dessa população atualmente é a saúde da família (80%). Entre as demais preocupações se destacam os temas: futuro (61%) e educação (62%).

Jovens de todo o Brasil foram ouvidos na pesquisa sobre os efeitos da pandemia do novo coronavírus na juventude. Foto: Alexandra_Koch/ Pixabay

Jovens de todo o Brasil foram ouvidos na pesquisa sobre os efeitos da pandemia do novo coronavírus na juventude. Foto: Alexandra_Koch/ Pixabay

O projeto Prevenção e Redução da Gravidez Não Intencional na Adolescência nos Municípios do Oeste do Paraná construiu mais um espaço de discussão entre as organizações realizadoras e a sociedade.

Na última quinta-feira (18) foi a estreia da série de webinários “Tá no Rumo: Traçando Caminhos”. Os eventos online terão o formato de rodas de conversa e contarão com participantes que buscam ideias e soluções para a vida da juventude em tempos de pandemia.

A primeira transmissão teve como tema os dados divulgados pela enquete “E aí, como está a sua vida neste período de isolamento social?”.

A pesquisa foi realizada com adolescentes e jovens do oeste do estado do Paraná, com idades entre 10 a 24 anos, e buscou identificar os sentimentos e as necessidades desses adolescentes frente à pandemia de COVID-19.

A COVID-19 também trouxe impactos significativos na vida da população jovem e adolescente, com mudanças que influenciam distintas fases da vida.

Os dados divulgados pela enquete espelham essa realidade, em que a atual preocupação dos e das jovens neste momento é a saúde da família (80%). Entre as demais preocupações se destacam os temas: futuro (61%) e educação (62%).

A primeira edição do “Tá no Rumo: Traçando Caminhos” debateu sobre os dados da enquete “E aí, como está a sua vida neste período de isolamento social?”.

O debate sobre os indicadores emocionais listou o medo como principal sentimento em relação à COVID-19, com 37% das respostas, mas também a tranquilidade (25%), tristeza (23%) e ansiedade (31%).

Segundo Vinícius Monteiro, oficial para população e desenvolvimento do UNFPA Brasil, esse olhar sobre as emoções foi um ganho que a enquete trouxe para abordar os efeitos da pandemia.

“Essa pesquisa chama para uma discussão importante, porque nos faz perceber a população de jovens e adolescentes como invisibilizados nesse momento. Jovens não são grupo de risco, mesmo assim são chave no contexto de pandemia no Brasil, na medida em que circulam muito e que estão em situações normais de ambientes de aglomeração na vida na escola, festa, igreja, por exemplo”, disse.

Para Werika Amaral, estudante secundarista e ilustradora, o medo confirma a realidade vivida nesse momento em relação à COVID-19.

“Estou com muito medo, e todos os meus amigos se sentem assim. É muito ruim, eu não me sinto tão atingida porque eu não sou uma jovem que saía muito para festas, mas eu tinha uma rotina agitada. Eu sinto falta de falar diretamente com meus amigos e dar um abraço neles.”

Para Werika, outro sentimento que surge é a ansiedade, principalmente pelas novas formas de se relacionar com a escola. “As aulas online são bem difíceis, muito mais que a aula presencial. Isso traz muita saudade da escola, dos professores”, comentou.

Para refletir sobre os resultados da enquete, participaram do debate virtual: Vinicius Ortiz, coordenador do Programa de Iniciação e Incentivo ao Trabalho da Itaipu Binacional; Rosângela Gouveia, coordenadora do Centro da Juventude e Convivência – Profº Jomar Vieira Rocha do município de Cascavel; Werika Amaral, estudante secundarista e ilustradora; e Vinícius Monteiro, oficial para População e Desenvolvimento do UNFPA Brasil.

A mediação do encontro ficou a cargo de Cintia Cruz, coordenadora local do projeto Prevenção e Redução da Gravidez Não Intencional na Adolescência nos Municípios do Oeste do Paraná.

O encontro também debateu as ações e desafios enfrentados pela rede de acolhimento de adolescentes.

Para Rosângela Gouveia, “temos que nos reinventar enquanto rede, a importância da conexão entre saúde, educação e assistência social, é essencial”. “O jovem faz parte de um todo e essa pandemia trouxe uma rede que trabalha na ponta mais interligada para ofertar um atendimento adequado mesmo durante essa pandemia”, afirmou.

Vinicius Ortiz lembrou que a empresa tem 140 adolescentes recebendo auxílio financeiro e psicológico durante a pandemia. “A gente, enquanto rede, está escutando e conversando com os jovens e pensando em outras estratégias para trabalhar conteúdos socioemocionais que possam ajudar na saúde mental dos adolescentes”.

Sobre a saúde mental de adolescentes, a mediadora do evento online, Cintia Cruz, comentou: “pensar em ferramentas que falam da saúde mental e que ajudem essa galera a entender como se reelaborar nesse momento, é uma grande demanda que surge nesse contexto”, avaliou.

Próximo evento: Relações Amorosas na Pandemia

A segunda edição do “Tá no Rumo: Traçando Caminhos” terá como tema as Relações Amorosas na Pandemia, e ocorre na quinta-feira (09/07), às 15h.

O evento será transmitido pela plataforma Zoom, e para receber o link de acesso é necessário realizar a inscrição previamente, acesse e participe: https://forms.gle/yU9FsYozP5H5MeBL8