UNFPA debate surto de zika e direitos reprodutivos das mulheres com parceiros da Bahia e Pernambuco

Encontro discutiu estratégias para a promoção da saúde sexual e reprodutiva e do empoderamento de jovens e mulheres negras. Fundo de População das Nações Unidas quer implementar método de monitoramento dos avanços da resposta ao zika.

Bebês que nascem com microcefalia requerem atendimento específico e continuado. Foto: UNICEF/BRZ/Ueslei Marcelino

Bebês que nascem com microcefalia requerem atendimento específico e continuado. Foto: UNICEF/BRZ/Ueslei Marcelino

Na semana passada, o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) se encontrou em Recife com parceiros da sociedade civil da Bahia e de Pernambuco para discutir o andamento da resposta ao zika. Os dois estados concentram o maior número de casos confirmados de microcefalia possivelmente associados a infecção pelo vírus.

A reunião contou com a participação da Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), da Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE) e outras 11 entidades, que partilharam suas experiências para tentar elaborar uma estratégia comum de monitoramento dos avanços.

Os projetos desenvolvidos pelos organismos estão alinhados à iniciativa UNFPA “Atuando em contextos de Zika: direitos reprodutivos de grupos em situação de vulnerabilidade”, cujo objetivo é informar e promover os direitos reprodutivos de mulheres, inclusive de adolescentes e jovens, visando mitigar os impactos da doença e a microcefalia.

Encontro reuniu parceiros do UNFPA no combate ao zika. Foto: Jennifer Gonçalves / UNFPA Brasil

Encontro reuniu parceiros do UNFPA no combate ao zika. Foto: Jennifer Gonçalves / UNFPA Brasil

Para Talita da Silva, integrante do Coletivo Mangueiras — um grupo de jovens feministas e ativistas pelos direitos sexuais e reprodutivos —, o encontro permitiu “perceber o que estava acontecendo tanto nas organizações de Pernambuco como da Bahia, qual o cenário atual da epidemia e quais as ações que o movimento das mulheres e o movimento social têm feito em diversos estados a fim de repensar as respectivas estratégias”.

A especialista em avaliação Sônia Fleury, que irá liderar a estratégia de monitoramento e avaliação do programa do UNFPA, enfatizou que “é necessário unir as forças comunitárias que já estão em campo para enfrentar a crise do zika”.

Segundo Fleury, esta é uma oportunidade “para fortalecer os grupos que trabalham no apoio às mulheres e seus direitos sexuais e reprodutivos e a construção de uma rede envolvendo todos esses projetos para que eles possam trocar experiências”.

Também presente, o diretor da FIOCRUZ de Pernambuco, Sinval Brandão, destacou que “o número de novos casos de infecção por zika causou muitos transtornos e sequelas na população de Pernambuco e na região Nordeste”. O chefe do instituto de pesquisa afirmou ainda que a fundação tem se empenhado para acelerar os procedimentos de diagnóstico e confirmar as infecções causadas pelo vírus.

O encontro também permitiu aos parceiros do UNFPA apresentarem seus projetos de mobilização e ações de comunicação que envolvam o público feminino e jovem. Ao todo, a agência da ONU recebeu 11 propostas abordando temáticas relacionados aos direitos humanos, saúde sexual e reprodutiva e o empoderamento de jovens e mulheres negras.

Por Tatiana Almeida, para o UNFPA Brasil.