UNFPA completa dois anos de atuação na resposta humanitária em Roraima

Em setembro de 2019, o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) completou dois anos atuando em Roraima, onde presta assistência a grupos com necessidades específicas de proteção.

Neste período, por meio de seu programa de Assistência Humanitária, a agência já atendeu mulheres, gestantes, lactantes, jovens, mães com crianças, população LGBTI, pessoas vivendo com HIV, indígenas, pessoas idosas, com deficiência, entre outros grupos que chegam diariamente ao Brasil, vindos da Venezuela.

O Fundo de População conta, hoje, com uma equipe de 26 pessoas que fazem parte do trabalho humanitário em Brasília, Roraima e, desde setembro de 2019, também em Manaus, capital do Amazonas.

Lucas Rocha, assistente de campo do UNFPA em Paracaima, Roraima. Foto: UNFPA Brasil | Yareidy Perdomo.

Lucas Rocha, assistente de campo do UNFPA em Paracaima, Roraima. Foto: UNFPA Brasil | Yareidy Perdomo.

Em casos de emergências humanitárias, o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) é o órgão do sistema ONU responsável por prevenir e oferecer respostas para a violência sexual e a violência de gênero, além de garantir o pleno acesso a serviços em saúde sexual e reprodutiva – que inclui saúde materna e planejamento reprodutivo.

Em Roraima, o Fundo participa da Operação Acolhida, iniciativa do governo federal responsável por coordenar a resposta e atendimento às pessoas refugiadas e migrantes que chegam ao país oriundas da Venezuela.

Atualmente, o UNFPA conta com uma equipe de 26 pessoas que fazem parte do trabalho humanitário desenvolvido em Brasília, Roraima e, desde setembro de 2019, também em Manaus, capital do Amazonas.

Impactos positivos da ação da agência

Para o chefe do escritório do UNFPA em Roraima, Igo Martini, os resultados positivos são visíveis. “A articulação do UNFPA para a prevenção da violência de gênero em emergências, junto aos diversos parceiros, organismos internacionais, sociedade civil e governos federal, estadual e municipal facilitou o acesso a serviços para as pessoas sobreviventes de situações de violência”, relatou.

Ao longo deste período, a agência ampliou seu alcance na região, possibilitando atendimento a mais grupos com necessidades específicas de proteção, como venezuelanos indígenas.

“O UNFPA criou Espaços Amigáveis em Pacaraima e Boa Vista, e ampliou sua equipe de assistentes de campo, o que possibilitou a  presença do UNFPA em comunidades indígenas na região de Pacaraima para atender um maior número de pessoas beneficiadas”, completou Martini.

Parcerias na Resposta Humanitária – segunda fase da Operação Acolhida

O UNFPA tem trabalhado para fortalecer sua estrutura na resposta humanitária e o diálogo com os governos, municípios e a Operação Acolhida do governo federal.

“Nós estamos planejando nossas ações em consonância com as mudanças da Operação Acolhida, porque entendemos que essas mudanças também refletem no nosso planejamento”, apontou Igo Martini.

A agência continuará auxiliando na segunda fase da Operação, caracterizada por reunir esforços para conduzir pessoas venezuelanas a diferentes cidades do território nacional.

“Foi recentemente lançada pelo governo federal a segunda fase da operação, com foco na interiorização e a integração socioeconômica das pessoas migrantes e refugiadas, da qual continuaremos participando”, comunicou Martini.

Atualmente, o UNFPA não está presente apenas em Roraima, mas também em Manaus, onde a Operação Acolhida foi recentemente implementada.

Segundo Irina Bacci, oficial de programa para Assistência Humanitária do UNFPA, o planejamento futuro envolve tanto ampliar a atuação quanto manter a qualidade da resposta humanitária oferecida pela agência na região norte do país.

Bacci alerta: “Mas numa perspectiva de desenvolvimento, fazendo com que os estados tenham cada vez mais capacidade de resposta às necessidades de proteção que as pessoas apresentam, especialmente quando falamos de violência baseada em gênero, da promoção de saúde sexual e reprodutiva, dos direitos humanos e do protagonismo da juventude”.

Uma trajetória de aprendizados

Ao longo desses dois anos, o trabalho do UNFPA na resposta humanitária foi cheio de desafios e aprendizados.

Segundo o chefe do UNFPA em Roraima, o seu maior aprendizado “foi entender que quando as pessoas chegam em extrema vulnerabilidade, temos que inicialmente articular medidas protetivas e uma resposta adequada às suas necessidades básicas, como abrigamento, alimentação, acesso à saúde etc. Mas não só isso”, apontou Martini.

Ele avalia que essas pessoas também precisam se sentir integradas e empoderadas, a fim de alcançarem suas expectativas e sonhos no novo país.

“É o nosso trabalho também contribuir para que isso seja possível e é gratificante ver que pessoas que passaram pelos nossos espaços são exemplos para outras”, concluiu.

Histórias que marcam

“Uma das lembranças que mais me marcou foi quando estávamos em um abrigo e conhecemos uma mãe que estava acompanhada de seu filho. Os dois tinham uma doença grave, e nós os acolhemos”, contou Irina Bacci, oficial de programa para Assistência Humanitária do UNFPA.

Segundo Bacci, a mulher atendida dividiu sua difícil história, permeada por violência e sofrimento, mas de uma maneira afetuosa.

“Me marcou muito a forma com que essa mulher contava, porque apesar de tudo ela falava com doçura, com amor, ela contava com respeito e afeto. Tinha muito afeto na forma que ela falava conosco”, relembrou a oficial.

Devido aos espaços seguros de escuta promovidos pela agência, uma aproximação foi possível.

“Atualmente eles estão fazendo tratamento e você consegue perceber a felicidade em seus olhos. São um jovem e uma mãe que migraram sozinhos para o Brasil, deixando a sua família e todo o resto para trás, mas com uma história marcada pela resiliência e uma imensa vontade de vencer”, concluiu Bacci.

Ações em Roraima

Confira abaixo, algumas das ações humanitárias promovidas pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) em Roraima.

Promoção da resiliência comunitária

Com ações integrativas, lúdicas e de fortalecimento, o UNFPA tem estimulado o empoderamento, a convivência e os vínculos entre as pessoas que chegam ao Brasil em busca de novas oportunidades, a fim de possibilitar o seguir em frente.

Disseminação de informações sobre direitos

Orientações sobre direitos e encaminhamentos aos serviços da rede de proteção social, incluindo serviços de saúde, rede de proteção de direitos humanos, acompanhamentos e atendimentos psicossociais.

Articulação e fortalecimento das capacidades institucionais

Diálogo com os órgãos governamentais e a sociedade civil organizada no fortalecimento das suas capacidades para o atendimento e acolhimento de imigrantes e a população geral.

Gerenciamento de casos de saúde reprodutiva e violência de gênero

Com uma equipe especializada, o UNFPA garante que os fluxos e protocolos de referência aos serviços em território brasileiro sejam seguidos, auxiliando governos locais a se prepararem no atendimento de mulheres, meninas, jovens, pessoas idosas, com deficiência, vivendo com HIV, indígenas, outros grupos étnico-raciais e população LGBTI nos serviços e rede de proteção.

Espaços seguros e amigáveis

Locais onde mulheres, meninas e população em situação de vulnerabilidade podem, por exemplo, socializar, reconstruir as suas redes afetivas e de apoio, bem como acessar informação sobre direitos e a rede de serviços de saúde e proteção social, além de participar de sessões informativas e oficinas.

Interiorização

A política de interiorização do governo federal tem caráter voluntário, ou seja, é para todos e todas que desejam participar. Os detalhes sobre a cidade de destino são explicados com antecedência. Antes de cada viagem, o UNFPA trabalha na disseminação de informações sobre os direitos de mulheres, meninas e população LGBTI no Brasil e como seguir em frente, mantendo diálogos e acompanhamento, após a saída de Roraima, com migrantes e pessoas refugiadas.