UNFPA apresenta perguntas e respostas sobre a COVID-19

O Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) preparou uma série de perguntas e respostas sobre as ações que a agência está tomando em várias partes do mundo por conta da pandemia da COVID-19. O material também inclui explicações para dúvidas relacionadas ao coronavírus e temas tratados pela agência, como mulheres grávidas, enfermeiras, parteiras, violência doméstica, saúde e direitos sexuais reprodutivos, jovens e pessoas idosas.

Imagem microscópica do coronavírus MERS-CoV, produzida pelo Instituto Nacional de Doenças Infecciosas e Alérgicas - CDC/Unsplash

Imagem microscópica do coronavírus MERS-CoV, produzida pelo Instituto Nacional de Doenças Infecciosas e Alérgicas – CDC/Unsplash

O Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) preparou uma série de perguntas e respostas sobre as ações que a agência está tomando em várias partes do mundo por conta da pandemia da COVID-19. O material também inclui explicações para dúvidas relacionadas ao coronavírus e temas tratados pela agência, como mulheres grávidas, enfermeiras, parteiras, violência doméstica, saúde e direitos sexuais reprodutivos, jovens e pessoas idosas.

Confira abaixo as informações, atualizadas em 30 de março de 2020.

1. O que o UNFPA está fazendo para lidar com a pandemia da COVID-19?

O UNFPA está trabalhando com governos e parceiros para responder às necessidades essenciais de mulheres e meninas em idade reprodutiva que são afetadas pela pandemia de COVID-19. O Fundo está se concentrando em países que têm sistemas fracos de saúde pública e apoio social, incluindo países em situações frágeis e em contexto humanitário.

O UNFPA ajuda os governos a fortalecer a capacidade de seus sistemas de saúde, adquirindo e fornecendo suprimentos essenciais, e também garantindo acesso a serviços de saúde sexual e reprodutiva e violência baseada em gênero, promovendo a comunicação sobre riscos e o envolvimento da comunidade, contribuindo para a avaliação de impacto conjunta das Nações Unidas sobre a pandemia. Além de defender respostas sensíveis sobre gênero, o Fundo de População tem fornecido apoio material aos sistemas de saúde afetados. Por exemplo:

Na China, o UNFPA distribuiu absorventes higiênicos e fraldas para adultos entre populações vulneráveis, incluindo idosos em situação de risco, bem como equipamentos de proteção individual para profissionais da saúde.

No Irã, o UNFPA adquiriu máscaras, desinfetantes e luvas para mais de 400 centros para idosos e pessoas com deficiência.

Nas Filipinas, o UNFPA forneceu equipamento de proteção individual – incluindo macacão, capotes de mangas compridas, protetores faciais, óculos de proteção, aventais, capas de cabeça e capas de sapatos – para os profissionais de saúde atuando na linha de frente. Esses suprimentos complementam uma distribuição anterior de termômetros portáteis e máscaras cirúrgicas.

Na Moldávia, para ajudar unidades do sistema de saúde, o UNFPA trabalhou com parceiros para lançar um painel on-line, atualizado em tempo real, mostrando casos desagregados por localização, sexo, idade e estado da gravidez.

Durante o surto de doenças, mulheres enfrentam uma variedade de riscos, no entanto, muitas vezes elas estão ausentes no desenho de respostas epidêmicas e pandêmicas. Isso tem sido real durante a COVID-19. Portanto, o UNFPA tem defendido junto às autoridades nacionais e locais que a participação das mulheres, inclusive profissionais de saúde, seja priorizada.

O UNFPA também está mobilizando sua extensa rede de organizações de jovens e mulheres, incluindo grupos religiosos, para envolver as comunidades na prevenção de infecções, estimular práticas saudáveis, além de prevenir e acabar com o estigma e a discriminação relacionados a doenças.

2. Mulheres grávidas correm maior risco?

Não se sabe. Não há evidências científicas indicando que as mulheres grávidas tenham suscetibilidade aumentada à COVID-19 ou risco aumentado sobre resultados adversos.

No entanto, sabe-se que, de maneira geral, as gestantes sofrem alterações físicas que podem torná-las mais vulneráveis a sofrer infecções respiratórias graves. Devem, portanto, ser tratadas com a máxima prioridade.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), também não há evidências que sugiram que a COVID-19 possa ser transmitida verticalmente, ou seja, da mãe para o feto durante a gravidez ou o parto. Também não há evidências de que possa ser transmitida  durante a amamentação.

Para proteger gestantes e recém-nascidos, as unidades de saúde pré-natal, neonatal e materna devem ser separadas dos casos identificados de COVID-19.

Mulheres grávidas e lactantes que se recuperaram da COVID-19 devem poder e ser encorajadas a acessar os cuidados pré-natais de rotina, serviços de parto, e aborto seguro e assistência pós-aborto conforme a previsão legal do país.

O UNFPA também está preocupado com os riscos que as mulheres grávidas podem enfrentar à medida que os sistemas de saúde lidam com a pandemia. Durante emergências de saúde pública, os recursos humanos e financeiros são frequentemente redirecionados aos vários programas de saúde que respondem ao surto de doenças infecciosas. Serviços de saúde materna de qualidade devem permanecer disponíveis, mesmo que os recursos de saúde sejam cada vez mais direcionados para lidar com a COVID-19.

3. O que as mulheres grávidas devem fazer para se manter seguras?

As mulheres grávidas devem tomar as mesmas ações preventivas recomendadas para todos os adultos, como evitar contato próximo com quem estiver tossindo e espirrando, lavar as mãos frequentemente com sabão e água ou com álcool, cobrindo a boca e o nariz com um lenço de papel ou cotovelo quando tossir e espirrar. Todas as ações recomendadas estão disponíveis no site da OMS.

4. As novas mães que apresentam sintomas de COVID-19 devem amamentar seus recém-nascidos?

Não há evidências para mostrar que vírus respiratórios possam ser transmitidos através do leite materno, de acordo com o UNICEF. Mães que apresentam os sintomas devem usar uma máscara quando estiverem próximas de uma criança (inclusive durante a amamentação), devem lavar as mãos antes e depois do contato com a criança (incluindo a alimentação) e desinfetar as superfícies contaminadas.

Se uma mãe estiver doente demais para amamentar, ela deve ser incentivada a extrair o leite, que pode ser administrado à criança através de um copo e / ou colher limpos – enquanto estiver usando uma máscara, lavar as mãos antes e depois do contato com a criança e limpar/desinfetar superfícies contaminadas.

5. A pandemia da COVID-19 afeta mulheres de maneira desproporcional? Como assim?

Ainda são necessários dados precisos e desagregados por sexo sobre as taxas de infecção e mortalidade por COVID-19. Mas sabe-se que surtos de doenças afetam mulheres e homens de maneira diferente. Evidências de epidemias anteriores mostram que as desigualdades existentes para mulheres e meninas e a discriminação de outros grupos marginalizados, como pessoas com deficiência e pessoas em extrema pobreza, pioram nesses tempos. Mulheres e meninas enfrentam maior risco de violência doméstica, bem como outras formas de violência de gênero, incluindo exploração e abuso sexual.

As mulheres são menos propensas do que os homens a ter poder de decisão durante um surto e, como conseqüência, suas necessidades gerais e sexuais e de saúde reprodutiva podem não ser atendidas. Também existe um nível inadequado de representação das mulheres no planejamento e na resposta à pandemia.

Globalmente, as mulheres são mais propensas a trabalhar em empregos precários e informais do que os homens, enquanto carregam uma responsabilidade maior de cuidados não remunerados, e podem enfrentar interrupções no trabalho, perda de meios de subsistência e aumento das responsabilidades de cuidados como consequência da COVID-19. Os sistemas de proteção social que não abordam as desigualdades de gênero durante um surto, podem exacerbar as formas múltiplas e cruzadas de discriminação que mulheres e meninas enfrentam.

As mulheres também representam aproximadamente 70% da força de trabalho global em serviços de saúde e serviços sociais, o que as coloca na linha de frente da resposta e com maior risco de infecção. Como os sistemas de saúde sofrem tensão devido ao vírus, devem ser feitos esforços para dar conta dos desafios únicos enfrentados pelas trabalhadoras de saúde. Por exemplo, as desigualdades de gênero podem deixar as trabalhadoras da saúde menos aptas a pleitear por equipamentos de proteção. Elas podem ser menos capazes de atender às suas próprias necessidades de saúde sexual e reprodutiva, como suprimentos de higiene para a menstruação ou intervalos para profissionais grávidas.

6. O que acontece com mulheres grávidas que contraem COVID-19?

O UNFPA está trabalhando para garantir que mulheres grávidas com suspeita ou confirmação de infecção por COVID-19, incluindo aquelas que precisam passar um período de tempo isoladas, tenham acesso a cuidados respeitosos e qualificados centrados na mulher, que incluem testes de triagem obstétrica, medicina fetal, parto seguro e assistência neonatal, bem como saúde mental e apoio psicossocial. Os sistemas de saúde também devem estar prontos para lidar com as complicações maternas e neonatais nesses casos.

O Fundo de População também está trabalhando para garantir que todas as lactantes que se recuperam ou que contraíram COVID-19 recebam informações e aconselhamento sobre alimentação segura para bebês e medidas apropriadas para impedir a transmissão da COVID-19.

Mulheres grávidas e lactantes que se recuperaram da COVID-19 devem ser encorajadas a acessar o pré-natal de rotina, serviços de parto, e aborto seguro e assistência pós-aborto conforme previsto em lei.

7. Enfermeiras/os e parteiras correm maior risco de exposição. Eles e elas possuem o equipamento de segurança necessário?

Em todo o mundo, as mulheres representam aproximadamente 70% da força de trabalho global em serviços de saúde e serviços sociais. Parteiras, enfermeiras/os e agentes comunitários de saúde estão na linha de frente dos esforços para combater e conter surtos de doenças. Eles exigem Equipamento de Proteção Individual (EPI), mas atualmente esse equipamento é extremamente desafiador devido às restrições maciças de demanda e exportação impostas pelos países fabricantes.

A proteção dos e das profissionais de saúde, em particular parteiras, enfermeiras, obstetras e anestesiologistas, deve ser priorizada. Eles e elas devem receber EPI se estiverem tratando pacientes com suspeita ou confirmação da COVID-19.

8. Enfermeiras/os e parteiras nas linhas de frente das crises humanitárias foram treinados para se proteger da infecção?

O UNFPA está trabalhando para garantir que os profissionais de saúde de prevenção e controle de infecções sejam treinados ou passem por reciclagem para reduzir o risco de transmissão de humano para humano. O treinamento será baseado nas orientações da Organização Mundial da Saúde.

Os profissionais de saúde, particularmente as parteiras, também devem ser treinados para mitigar o estigma e a discriminação, observando sinais de violência de gênero e educando as pessoas sobre sintomas da infecção por COVID-19 e mensagens de higiene relacionadas.

9. Os índices de violência doméstica estão aumentando como consequência da pandemia da COVID-19?

Evidências de surtos anteriores indicam que mulheres e meninas enfrentam maiores riscos de violência por parceiro íntimo e outras formas de violência doméstica devido ao aumento das tensões na família. Os impactos financeiros das epidemias também aumentam o risco de outras formas de violência baseada em gênero, como exploração e abuso sexual.

Essas preocupações são particularmente graves na pandemia da COVID-19, que resultou em restrições de movimento em uma escala nunca antes vista. Existem perigos reais para mulheres e meninas forçadas a se isolarem com agressores e preocupações sobre se e como elas podem receber assistência. Serviços críticos fornecidos pelos sistemas de saúde, incluindo gerenciamento clínico de estupro, apoio psicossocial e encaminhamentos para proteção, podem ser interrompidos quando os prestadores de serviços de saúde estão sobrecarregados com os casos de COVID-19.

Os e as profissionais de saúde devem estar equipados/as com as habilidades e os recursos necessários para fornecer cuidados sensíveis, respeitosos e confidenciais às sobreviventes de violência de gênero.

10. Como a pandemia da COVID-19 pode afetar a saúde e os direitos sexuais e reprodutivos? As mulheres ainda poderão acessar serviços de saúde sexual e reprodutiva durante a pandemia?

Os sistemas de saúde poderão direcionar recursos dos serviços de saúde sexual e reprodutiva para lidar com a pandemia. Isso pode contribuir para o aumento da mortalidade e morbilidade de mães e recém-nascidos, aumento da necessidade não atendida de contracepção, aumento do número de abortos inseguros e infecções sexualmente transmissíveis.

Além disso, a disponibilidade de planejamento familiar e outros produtos essenciais de saúde sexual e reprodutiva, incluindo itens de saúde menstrual, podem ser afetados, pois as cadeias de suprimentos são prejudicadas pela resposta à pandemia.

Os serviços de saúde sexual e reprodutiva, incluindo os cuidados pré-natais e maternos, salvam vidas e devem permanecer acessíveis. Uma atenção especial deve ser dada para garantir que populações vulneráveis – como pessoas com deficiência, pessoas vivendo com HIV, indígenas e aquelas que vivem na pobreza – não percam o acesso a esses cuidados. Equipes de saúde que prestam esses serviços também devem seguir rigorosamente as medidas de prevenção e controle de infecções. O UNFPA está trabalhando para manter a continuidade desses serviços globalmente.

As escolhas e os direitos de saúde sexual e reprodutiva de mulheres e meninas devem ser respeitados, independentemente de estarem ou não infectadas com COVID-19. Isso inclui acesso à contracepção, contracepção de emergência, e aborto seguro e assistência pós-aborto conforme previsto em lei.

11. Como a pandemia da COVID-19 afetará os países de baixa renda? Como isso afetará as condições humanitárias?

A resposta curta é: não se sabe. A contenção da doença que se espalha rapidamente tem sido um enorme desafio, mesmo em comunidades com bons recursos. Há razões para acreditar que ambientes humanitários e de baixa renda enfrentarão riscos ainda maiores. Mas é importante observar que todas as populações vulneráveis sofrerão de forma diferente com a pandemia da COVID-19.

A pandemia da COVID-19 está sobrecarregando os sistemas de saúde e deverá impactar severamente os sistemas de saúde dos países de baixa e média renda – com mais impactos nos países que sofrem fragilidade ou crises humanitárias. Para os quase 48 milhões de mulheres e meninas, incluindo 4 milhões de mulheres grávidas, identificadas pelo UNFPA como necessitadas de assistência humanitária e proteção em 2020, os perigos colocados pela COVID-19 são ampliados.

Aqueles que enfrentam crises de longa duração, conflitos, desastres naturais, deslocamentos e outras emergências de saúde enfrentam perigos ainda maiores. Muitos campos de deslocados e assentamentos informais são densamente povoados e têm pouco acesso à água corrente, dificultando ainda mais as medidas de prevenção de infecções. A escassez de profissionais de saúde e o acesso precário a serviços de cuidados intensivos exacerbam os desafios que essas comunidades enfrentarão.

Os países afetados por conflitos são particularmente vulneráveis. Em 23 de março, o secretário-geral da ONU pediu “um cessar-fogo global imediato em todos os cantos do mundo”. Ele disse: “É hora de encerrar o conflito armado e se concentrar na verdadeira luta de nossas vidas…para trazer esperança a lugares entre os mais vulneráveis à COVID-19”. Esperamos que as partes em guerra atendam seu chamado.

12. Pessoas idosas e pessoas com condições pré-existentes são declaradamente mais vulneráveis à COVID-19. Isso significa que jovens estão a salvo da pandemia?

Não, pessoas jovens não estão a salvo da COVID-19. Elas são tão propensas quanto os idosos a serem infectadas. Também podem sofrer complicações e morte pela doença. E devem seguir estritamente as diretrizes nacionais para evitar a exposição e a infecção.

Alguns adolescentes e jovens enfrentam riscos elevados, incluindo aqueles com condições médicas pré-existentes. Além disso, existem riscos elevados para os jovens que não têm informações confiáveis, que têm acesso precário às condições sanitárias, que são incapazes de ter um distanciamento social ou que têm acesso limitado aos serviços de saúde devido a distância, recursos ou discriminação. Isso significa que os riscos são elevados para muitas adolescentes, para pais adolescentes solteiros, jovens migrantes, jovens refugiados/as, jovens sem-teto, jovens em detenção ou vivendo em áreas movimentadas e jovens que vivem com HIV.

Além disso, a pandemia tornou a vida dos e das jovens mais desafiadora devido a pressões sobre serviços essenciais. A educação formal em muitos lugares foi severamente impactada pela crise. A saúde sexual e reprodutiva das jovens também pode ser comprometida à medida que os serviços de saúde e as cadeias de suprimentos são afetadas.

No entanto, ao mesmo tempo, jovens em muitos países estão bem posicionados para desempenhar o papel de ajudar suas comunidades a responder à pandemia.

13. O que jovens podem fazer para proteger a si e aos outros?

A coisa mais importante que alguém pode fazer para se manter seguro e a sua comunidade também é seguir as diretrizes de prevenção compartilhadas pela Organização Mundial da Saúde – lave as mãos com frequência, pratique distanciamento social e caso sinta febre, tosse e dificuldade ao respirar, procure atendimento médico. Todas as ações recomendadas estão disponíveis no site da OMS.

Com o treinamento correto sobre a doença e sua transmissão, os jovens também podem tomar medidas proativas para proteger suas comunidades de forma mais ampla. A facilidade de muitos jovens com a tecnologia significa que eles estão bem posicionados para manter vínculos de comunicação com amigos e redes, mesmo quando suas comunidades praticam distanciamento social. Portanto, os jovens podem desempenhar um papel fundamental para a disseminação de informações corretas sobre a COVID-19, incluindo o compartilhamento de informações sobre redução de riscos e esforços nacionais de preparação e resposta.