UNFPA apoia consulta em Roraima sobre o cenário da imigração no Brasil

Rede Brasileira de População e Desenvolvimento percorre o Brasil em consultas sobre avanços e desafios do tema desde a Conferência Internacional de 1994. Foto: UNFPA Brasil | Yareidy Perdomo.

Como parte de um amplo processo de consulta em várias partes do país sobre os avanços desde a Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento (CIPD), realizada no Cairo em 1994, a Rede Brasileira de População e Desenvolvimento visitou Roraima no final de setembro.

O objetivo foi colher demandas, experiências e proposições de imigrantes, profissionais que atuam na resposta ao fluxo migratório e a comunidade acadêmica sobre os desafios atuais da imigração no Brasil, no contexto dos 25 anos da Conferência Internacional no Cairo.

O encontro foi realizado em parceria com o Fundo de População da ONU (UNFPA) e contou com a participação de professores e estudantes da Universidade Federal de Roraima; profissionais do Exército da Salvação; da Associação Voluntários para o Serviço Internacional (AVISI Brasil); do Núcleo de Mulheres de Roraima e pessoas refugiadas e migrantes de diferentes gerações e gêneros.

Sobre a CIPD

A Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento é considerada um marco na agenda de população e desenvolvimento. Ela representou uma mudança de paradigma na forma como esses assuntos passaram a ser abordados.

Antes de 1994, falava-se em explosão populacional e possível escassez de alimentos, de necessidade de controle de natalidade. Após a conferência, o foco passou a ser a liberdade de escolha, com foco na equidade de gênero e na promoção dos direitos reprodutivos como direitos humanos.

A consulta em Roraima

Em Roraima, a atividade foi realizada através de uma metodologia participativa e de roda de conversa, na qual os participantes foram estimulados a contribuir a partir de suas experiências e opiniões, relatando tanto os desafios quanto os avanços em relação aos processos migratórios no Brasil.

Segundo Richarlls Martins, coordenador da Rede Brasileira de População e Desenvolvimento, “o objetivo desses encontros é pensar quais são os avanços, lacunas e desafios atuais no Brasil, passados os 25 anos da Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento”, disse.

No Brasil, já foram realizados eventos com a comunidade científica para colher dados. Martins elenca “as consultas para grupos populacionais específicos, a consulta LGBTIQ, a consulta ao enfrentamento a HIV/AIDS no Brasil e agora a consulta para população migrante aqui em Roraima”.

“Ainda falta uma série de consultas que terá como resultado a criação de um relatório colhido a partir da sociedade civil brasileira sobre a implementação da agenda de população e desenvolvimento no Brasil, que será entregue ao Conselho dos Direitos Humanos das Nações Unidas”, explicou.

Para ele, a consulta realizada em Roraima teve um saldo positivo devido à diversidade de países representados pela população migrante consultada.

“Não foi especificamente uma atividade local, ela ultrapassou de fato as fronteiras. Foi uma atividade latino-americana e caribenha porque tínhamos representações de população migrante da Venezuela mas também de El Salvador, da Colômbia, além de uma alta representação de profissionais que atuam na resposta à crise humanitária”, completou Martins.