UNESCO: discriminação racial continua a se manifestar nos esportes, na mídia, nas ruas

A discriminação racial ainda não foi banida dos livros de história. Essa forma perversa de exclusão e intolerância continua a se manifestar nos esportes, na mídia, nas ruas, nos locais de trabalho e até mesmo nos bastidores do poder.

A afirmação é da diretora-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), Audrey Azoulay, em comunicado para a ocasião do Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial, lembrado nesta quinta-feira (21).

“Infelizmente, mais uma vez, nós estamos vendo a face horrenda da discriminação sendo apresentada no discurso público. É por isso que, este ano, o tema do Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial é ‘Mitigar e combater o populismo nacional e a ideologia supremacista extremista'”, disse Audrey.

Mulheres se manifestam em Brasília na Marcha das Mulheres Negras (2015) pelo fim do racismo e do machismo. Foto: Ministério da Cultura

Mulheres se manifestam em Brasília na Marcha das Mulheres Negras (2015) pelo fim do racismo e do machismo. Foto: Ministério da Cultura

A discriminação racial ainda não foi banida dos livros de história. Essa forma perversa de exclusão e intolerância continua a se manifestar nos esportes, na mídia, nas ruas, nos locais de trabalho e até mesmo nos bastidores do poder.

A afirmação é da diretora-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), Audrey Azoulay, em comunicado para a ocasião do Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial, lembrado nesta quinta-feira (21).

“Nos 50 anos desde que a Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial entrou em vigor em 1969, muitas das leis raciais mais perniciosas que existiam no mundo foram eliminadas, bem como a escravidão e o apartheid foram abolidos”, lembrou.

“Infelizmente, mais uma vez, nós estamos vendo a face horrenda da discriminação sendo apresentada no discurso público. É por isso que, este ano, o tema do Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial é ‘Mitigar e combater o populismo nacional e a ideologia supremacista extremista’.”

Segundo a diretora-geral da UNESCO, o combate ao racismo é uma questão que diz respeito à dignidade humana e à construção de um mundo mais justo. Ela lembrou que sempre estiveram no centro do mandato da Organização ações para promover a diversidade, a inclusão, a não discriminação e uma cultura de paz e solidariedade.

“A Internet pode ser um solo fértil para a disseminação da discriminação racial, da xenofobia e de ideologias supremacistas, que com frequência têm como alvo migrantes e refugiados, assim como pessoas de ascendência africana”, disse.

“A UNESCO – como agência das Nações Unidas responsável pela área de comunicação e informação – desenvolve ferramentas de Alfabetização Midiática e Informacional (AMI) para combater tais atitudes online e enfrentar a propagação de ‘notícias falsas'”, completou.

Para a UNESCO, a garantia de um espaço online seguro faz parte da Educação para a Cidadania Global mais ampla, que tem como objetivo desenvolver competências para aperfeiçoar a compreensão mútua, o pensamento crítico e o diálogo intercultural.

“Os nossos projetos educacionais sobre o Holocausto e a Rota do Escravo – que eram fundamentados em uma falsa pseudociência de superioridade racial – contribuem para a nossa compreensão sobre esses terríveis capítulos de nossa história humana.”

“Diariamente, de forma silenciosa, a discriminação racial continua a privar as pessoas de seus direitos básicos ao emprego, à habitação e a uma vida social, materializando-se me leis injustas. Por meio da Coalizão Internacional da UNESCO de Cidades Inclusivas e Sustentáveis (ICCAR), nós apoiamos os Estados-membros no desenvolvimento de políticas urbanas para combater as formas modernas de exclusão.”

Além disso, este ano, como o Ano Internacional das Línguas Indígenas, a UNESCO está direcionando os holofotes para o racismo estrutural que priva certos grupos étnicos de seus direitos de usar suas línguas nativas de forma plena, seja nas salas de aula, na esfera cultural ou nos processos de tomada de decisões.

“A luta contra a discriminação é uma luta que todos nós devemos levar adiante. Neste Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial, vamos nos unir como Estados-membros, organizações da sociedade civil e cidadãos para acabar com a discriminação racial e também para construir sociedades mais sustentáveis”, concluiu.

A ONU marca todo ano, no dia 21 de março, o Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial (acesse página especial sobre o tema).

A Assembleia Geral das Nações Unidas declarou o período entre 2015 a 2024 como a Década Internacional de Afrodescendentes. Dessa forma, a comunidade internacional reconhece que os povos afrodescendentes representam um grupo distinto cujos direitos humanos precisam ser promovidos e protegidos.

Cerca de 200 milhões de pessoas auto-identificadas como afrodescendentes vivem nas Américas. Muitos outros milhões vivem em outras partes do mundo, fora do continente africano. Confira notícias e visite o site oficial: http://decada-afro-onu.org.

No Brasil, a ONU promove a campanha “Vidas Negras”, reafirmando o compromisso de implementação da Década Internacional de Afrodescendentes.

A iniciativa busca ampliar, junto à sociedade, gestores públicos, sistema de Justiça, setor privado e movimentos sociais, a visibilidade do problema da violência contra a juventude negra no país. O objetivo é chamar atenção e sensibilizar para os impactos do racismo na restrição da cidadania de pessoas negras, influenciando atores estratégicos na produção e apoio de ações de enfrentamento da discriminação e violência. Saiba mais em http://vidasnegras.nacoesunidas.org.

Além disso, a ONU mantém um programa sobre a memória do escravidão: clique aqui e saiba mais. Outros programas da ONU tratam sobre as memórias do Holocausto e do genocídio em Ruanda.