UNCTAD afirma que países em desenvolvimento atraem metade do investimento estrangeiro global

Só a América Latina e Caribe tiveram um aumento de 8% nas entradas dos Investimento Estrangeiros Diretos no primeiro semestre de 2012, totalizando 94,3 bilhões de dólares.

Secretário-Geral da UNCTAD Supachai Panitchpakdi. (ONU/JC McIlwaine)A diminuição de Investimento  Estrangeiro Direto (IED) entrando nos Estados Unidos e na União Europeia (UE) abriu o caminho para os países em desenvolvimento, pela primeira vez, absorver metade dos fluxos globais de IED, informou ontem (23) a agência de desenvolvimento e comércio das Nações Unidas no relatório ‘Monitoramento das Tendências Globais de Investimento‘.

O IED global, no entanto, diminuiu 8% no primeiro semestre de 2012, uma vez que a recuperação econômica sofreu novos reveses no segundo trimestre do ano. De acordo com a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), os fluxos de IED diminuíram 5% no mundo em desenvolvimento.

“O investimento lidera o crescimento econômico, mas as tendências atuais de fluxos de investimento para os países em desenvolvimento, particularmente na Ásia, são preocupantes e permanece assustador o desafio para a canalização dos IED em setores fundamentais para o desenvolvimento como agricultura, infraestrutura e economia verde”, disse o Secretário-Geral da UNCTAD, Supachai Panitchpakdi, em comunicado à imprensa.

O relatório conclui que o IED mundial caiu 61 bilhões de dólares, com o declínio causado principalmente por uma queda de 37 bilhões de dólares em ingressos para os EUA e uma queda de 23 bilhões em fluxos para países dos BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China). A China, no entanto, emergiu como maior receptor mundial de IED no primeiro semestre de 2012, seguido pelos Estados Unidos, observa o relatório.

“Pela primeira vez, as economias em desenvolvimento por si só representam a metade do total global”, afirma o relatório, ressaltando que enquanto os fluxos para a América Latina e África aumentaram, aqueles para Ásia em desenvolvimento declinaram.

Mesmo com fluxos em queda no Brasil, América Latina e Caribe crescem 8%

A América Latina e Caribe tiveram um aumento de 8% nas entradas de IED dos 17 países da região durante o primeiro semestre de 2012, em comparação com o mesmo período de 2011, totalizando 94,3 bilhões de dólares.

Segundo a Comissão Econômica para a América Latina e Caribe das Nações Unidas (CEPAL), responsável pelos dados, os investimentos das empresas latino-americanas no exterior – denominados translatinas – tiveram um forte aumento de 129% nos primeiros seis meses do ano.

Para a Comissão, o aumento nos fluxos de IED se deve à estabilidade e dinamismo econômico na maioria dos países, bem como aos preços elevados das matérias-primas, que continuam incentivando o investimento em mineração e em hidrocarbonetos, particularmente na América do Sul.

A visão geral dos fluxos de IED para a região tem um certo nível de heterogeneidade, apontou a CEPAL, com quedas em vários países. No entanto, o forte aumento dos investimentos no Chile, Argentina, República Dominicana, Peru e Colômbia faz com que o resultado global seja positivo. Esta situação é agravada pela relativa estabilidade dos fluxos para o Brasil – que registrou uma ligeira queda de 2% e respondeu por 46% do IED na região em 2012 –, confirmando-se como o principal destino na América Latina e Caribe.

As empresas latino-americanas no Brasil continuam a tendência evidenciada em 2011, com transferências substanciais das subsidiárias no exterior para suas matrizes, que causam um saldo negativo em IED no exterior.