UNAIDS: Semana de prevenção marca as comemorações do dezembro vermelho em Salvador

A semana de atividades chamou a atenção para a luta contra o HIV/Aids. Iniciativas disseminaram informação e promoveram a testagem na capital da Bahia.

Grupo de Teatro Jovem do GAPA Bahia leva mensagens de promoção dos direitos humanos ao público durante a semana de atividades. Foto: UNAIDS Brasil/Genilson Couto

Grupo de Teatro Jovem do GAPA Bahia leva mensagens de promoção dos direitos humanos ao público durante a semana de atividades. Foto: UNAIDS Brasil/Genilson Couto

A primeira semana de dezembro em Salvador (BA) foi marcada por diversas ações de prevenção e sensibilização sobre HIV/AIDS. A chamada Semana Vermelha de Luta Contra o HIV/Aids da capital baiana foi resultado de um trabalho conjunto entre as Secretarias de Educação (SEC) e da Saúde (Sesab) do Estado, a Secretaria Municipal de Saúde de Salvador (SMS), o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS), a Fundação Pedro Calmon e as organizações locais da sociedade civil.

A Semana Vermelha teve como tema central a Zero Discriminação, iniciativa global do UNAIDS que busca promover a tolerância e o respeito à dignidade de todas as pessoas, incentivando a disseminação de informações sobre o HIV, sobre a prevenção e os direitos que todas as pessoas têm de acesso a serviços de saúde.

“O problema da discriminação é grave, pois afasta as populações mais vulneráveis dos serviços de prevenção e cuidados para o HIV,” disse o consultor do UNAIDS na Bahia, Javier Angonoa. “É de fundamental importância tratar a prevenção ao HIV e à Aids no âmbito escolar, pois é entre os jovens que a epidemia está crescendo nos dias de hoje. Por isso, o foco de nossas atividades foi sobre a juventude de Salvador e da Região Metropolitana.”

As atividades incluíram caminhada com os profissionais por bairros de Salvador, onde foram distribuídos preservativos e folders explicativos sobre o HIV, além de prevenção e testagem de HIV e sífilis. Em 2014, Salvador registrou um aumento de 88% nos casos de sífilis em relação ao ano anterior. A doença é vista pelos especialistas como um termômetro importante sobre o uso ou não do preservativo nas relações sexuais e o grau de exposição das pessoas ao HIV.

 Engajamento juvenil na Semana de Prevenção

Cerca de dez alunos do curso de Relações Internacionais da Universidade UNIJORGE apoiaram essas atividades como voluntários. Ao lado deles, alguns jovens que participaram dos Cursos de Formação de Jovens Lideranças – feito em parceria entre UNAIDS, UNICEF, UNESCO e Departamento de DST/AIDS e Hepatites Virais do Ministério da saúde – estiveram entre as equipes da Semana Vermelha, à frente de muitas das ações como esta do Porto da Barra. Entre os relatos mais marcantes está o da percepção de que existe uma demanda grande entre os jovens por mais conhecimento sobre o HIV e sobre as opções de testagem disponíveis.

“Ter os jovens à frente de trabalhos tão importantes como esse nos ajuda a falar de uma coisa tão séria mas de maneira descontraída, o que despertou e desperta a curiosidade dos próprios jovens para que se aproximem, conheçam e participem dessas ações”, diz a graduanda em psicologia Ariane Senna, uma das jovens lideranças do Curso realizado pelo UNAIDS e parceiros. “Isso ficou muito claro na ação que fizemos na orla de Salvador (06). A demanda foi grande, faltou foi insumos par atender a todos”, conta Ariane, que hoje atua como ativista social e é filiada a organizações como a Associação de Travestis e Transexuais em Ação (ATRação) e a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA).

Para o graduando em medicina Vinícius dos Santos, também parte do grupo de jovens lideranças formadas pelo UNAIDS, viabilizar o engajamento dos jovens nessas ações constitui uma perspectiva inovadora e estratégica porque, além de potencializar a vontade de mudança, inerente à juventude, também garante uma prevenção mais eficaz por meio da atuação em pares.

“Vivemos um preocupante panorama da epidemia de HIV, principalmente pela grande incidência entre jovens de 15 a 24 anos. Precisamos chegar mais próximo dessa população vulnerável, buscando um diálogo horizontal, de igual para igual”, diz Santos, que também é ativista social engajado na resposta ao HIV e à Aids.

Salvador está entre as cidades consideradas prioritárias na resposta à epidemia de Aids no Brasil, principalmente por questões culturais e socioeconômicas – como renda, grandes desigualdades sociais, enfrentamento do racismo, violência contra populações-chave, entre outros. Assim como em todo o Brasil, a cidade tem registrado aumento nas taxas de infecções entre jovens.

Ao longo dos últimos anos, com apoio do UNAIDS e seus copatrocinadores, a cidade tem sido palco de diversas ações como parte desta resposta à epidemia. “Logo depois que fizemos ações importantes de testagem no Carnaval e na Copa do Mundo, com a iniciativa Proteja o Gol, do UNAIDS, percebemos o gargalo em relação à equipe médica. Tivemos filas de espera de seis meses e isso pressionou a gestão para a contratação de mais pessoas”, lembra a chefe do setor de acompanhamento das DST/Aids e Hepatites Virais de Salvador, Flávia Santos Guimarães. “Agora conseguimos aumentar o quadro e preparar todas as estruturas para a oferta mais adequada destes serviços.”