UNAIDS pede que África do Sul acelere ações de resposta ao HIV

Durante visita à África do Sul, o diretor-executivo do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS), Michel Sidibé, alertou que a resposta global à AIDS está em um ponto de inflexão. Segundo ele, os ganhos obtidos até hoje podem ser facilmente revertidos a menos que esforços sejam feitos para alcançar as metas estabelecidas para 2020 e para a próxima década no tema.

Em uma reunião com o Ministro da Saúde da África do Sul, Aaron Motsoaledi, Sidibé cumprimentou o país pelo progresso alcançado até o momento e encorajou o governo a acelerar ações para alcançar metas ambiciosas que colocarão a resposta ao HIV em um caminho sustentável para acabar com a epidemia de AIDS até 2030.

O diretor-executivo do UNAIDS disse que era hora de alavancar totalmente o poder das comunidades a fim de fechar as lacunas remanescentes no cumprimento das metas de tratamento de 90–90–90 (até 2020: que 90% das pessoas vivendo com HIV estejam diagnosticadas; que 90% destas estejam em tratamento; e que 90% das pessoas em tratamento estejam com carga viral indetectável).

Em reunião com a primeira-dama da África do Sul, Tshepo Motsepe, Sidibé a encorajou a usar sua voz e capacidade de divulgação para empoderar pessoas que não tenham visibilidade e acesso a serviços, enfatizando particularmente a importância de meninas adolescentes terem acesso à vacina do HPV (papilomavírus humano) para prevenir o câncer do colo do útero.

A primeira-dama sul-africana indicou sua vontade de se envolver em questões nacionais e internacionais em prol do desenvolvimento social. “A saúde não é simplesmente a ausência de doença”, disse ela. “Alguns me chamam de primeira-dama, alguns me chamam de esposa do presidente, mas seja o que você me chamar eu sou uma assistente social para a África do Sul”.

Sidibé também se reuniu com o ex-presidente da África do Sul Kgalema Motlanthe, e pediu que ele mantenha as pessoas atentas aos sérios riscos de a resposta à AIDS perder sua força, especialmente em relação à necessidade de envolver mais homens na testagem do HIV e no tratamento contínuo.

Motlanthe, que é um membro dos Champions for an AIDS-free Generation in Africa (Campeões de uma geração livre de AIDS na África), agradecei Sidibé pelos esforços ao longo de sua carreira, inclusive como diretor-executivo do UNAIDS. Ele observou que Sidibé repetidamente identificou e defendeu medidas cruciais para o avanço da resposta à AIDS.

Enquanto esteve em Johannesburgo, Sidibé dirigiu-se aos diretores dos escritórios do UNAIDS nos países do leste e sul da África. Ele citou o objetivo principal do UNAIDS — atender às necessidades das pessoas vivendo com HIV e das pessoas em risco de infecção. Como uma organização de saúde, ele enfatizou que o UNAIDS desempenha um papel único na defesa dos direitos das pessoas vulneráveis, envolvendo-se fortemente com a sociedade civil e insistindo que ninguém deve ser discriminado pelo modo como vive ou ama.

“O UNAIDS não é uma organização dirigida por logística ou materiais”, disse ele. “É uma organização que coloca as pessoas no centro.”

“A resposta à AIDS, especialmente na África Oriental e Meridional, oferece lições e abordagens para garantir a sustentabilidade por meio de liderança política, mobilização de recursos e envolvimento da comunidade”, continuou ele.

“Com as pessoas atrás de você, você pode realmente tornar o mundo melhor.”