UNAIDS pede aos países que mantenham o foco na prevenção do HIV durante a pandemia da COVID-19

Foto: UNAIDS

O Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (UNAIDS) pede aos países que permaneçam firmes em seus esforços de prevenção ao HIV e garantam que as pessoas possam continuar acessando os serviços de que precisam para permanecerem livres do HIV, sem discriminação e sem violência e que sejam capazes de desfrutar de sua saúde e direitos sexuais e reprodutivos.

Apesar do progresso global na prevenção do HIV, com as novas infecções caindo 40% desde o pico de 1997, os ganhos obtidos com grande esforço correm o risco de serem revertidos pela pandemia da COVID-19 em todo o mundo.

De acordo com a diretora-executiva do UNAIDS, Winnie Byanyima, a COVID-19 está impactando quase todos os países e comunidades, mas a epidemia global de HIV não desapareceu. “As pessoas ainda estão fazendo sexo. As pessoas ainda estão usando drogas. Durante a pandemia da COVID-19, todos devem receber as ferramentas necessárias para permanecerem seguras e se proteger do HIV. Os direitos humanos são a pedra angular da prevenção do HIV e devem ser a pedra angular da resposta à COVID-19”, disse.

Três novos documentos sobre prevenção ao HIV publicados pelo UNAIDS e parceiros da Coalizão Global sobre Prevenção do HIV analisam como manter e priorizar os serviços de prevenção ao HIV no contexto da COVID-19. Eles analisam as medidas críticas necessárias para manter os mais vulneráveis vivos e saudáveis, incluindo as medidas necessárias para prevenir e combater a violência contra mulheres e crianças, para manter o suprimento de mercadorias críticas disponíveis e para sustentar os meios de subsistência das pessoas mais pobres do
mundo.

Os documentos explicam que o leque de opções para prevenir o HIV — preservativos, lubrificantes, agulhas e seringas estéreis e terapia de substituição de opiáceos para pessoas que injetam drogas, profilaxia pré-exposição e profilaxia pós-exposição e tratamento como prevenção — são tão válidos agora como sempre foram. É preciso encontrar formas inovadoras de levar produtos de prevenção ao HIV para as pessoas que precisam deles  – distribuir quantidades de suprimentos de prevenção para longo prazo, permitir que os centros de distribuição permaneçam abertos durante os bloqueios e proteger os pontos de distribuição na comunidade, são apenas algumas possibilidades.

Além de prejudicar os serviços de prevenção e tratamento do HIV, o UNAIDS está preocupado com o fato da epidemia da COVID-19 ser um fator de aumento da vulnerabilidade ao HIV. A perda generalizada de meios de subsistência e menos oportunidades de emprego podem significar que o sexo transacional, o trabalho sexual e a exploração sexual aumentarão, colocando as pessoas em risco aumentado de infecção pelo HIV, a menos que tenham meios de se proteger.

Além dos insumos de prevenção ao HIV, é essencial a disponibilidade contínua de serviços e programas de apoio à prevenção do HIV, prevenção da violência de gênero e promoção da saúde e direitos sexuais e reprodutivos como serviços essenciais. Serviços de aconselhamento e testagem para HIV, triagem e tratamento de infecções sexualmente transmissíveis, continuidade do acesso a serviços de saúde sexual e reprodutiva, serviços de assistência de pares e outros serviços comunitários, serviços de apoio psicossocial, centros de acolhimento
para populações-chave e vulneráveis, educação sexual abrangente e a proteção contra a violência sexual é vital para preservar a resposta à prevenção do HIV. Os bloqueios impostos durante a resposta da COVID-19 resultaram em aumentos alarmantes nos relatos de violência doméstica e por parceiros íntimos contra mulheres e violência fora de casa, exigindo reforço urgente dos serviços de prevenção, proteção e apoio à violência de gênero e sexual.

Como o distanciamento social e os bloqueios praticamente pararam a prestação de serviços presenciais, o UNAIDS está pedindo a introdução de meios inovadores através dos quais as pessoas possam acessar estes serviços. As reuniões físicas podem ser mais seguras usando mecanismos que não permitam muitas pessoas em uma instalação ao mesmo tempo, reuniões e sessões de educação podem acontecer virtualmente e o uso de linhas telefônicas e serviços de SMS tem um um importante papel para manter pessoas a salvo do novo coronavírus e permitir que continuem recebendo a ajuda necessária para se manterem livres do HIV. O autoteste do HIV é uma maneira mais segura de realizar o teste, pois reduz o contato com outras pessoas e reduz a carga de serviço nas unidades de saúde.

As organizações e redes comunitárias são essenciais para a resposta à AIDS, devido ao papel central que desempenham na conscientização, no fornecimento de informações, na dissipação de mitos, no combate à desinformação e na prestação de serviços para populações marginalizadas e vulneráveis. Agora, mais do que nunca, as lideranças comunitária devem ser apoiadas para inovar, entregar e serem reconhecidas como prestadores de serviços essenciais para as respostas ao HIV e à COVID-19.

Quarenta anos de resposta ao HIV ensinaram lições valiosas, especialmente que a pandemia da COVID-19 não afetará a todos igualmente e que os mais marginalizados, incluindo populações-chave, serão os mais afetados. Nos três novos documentos, o UNAIDS pede aos países que adotem uma abordagem de direitos humanos e priorizem as necessidades das populações mais marginalizadas durante a pandemia de COVID-19, incluindo a manutenção de
serviços críticos de prevenção ao HIV.