UNAIDS: Infecções por HIV caem 50% em 25 países

O número de pessoas com acesso à terapia antirretroviral aumentou em 63% nos últimos 24 meses, e as mortes relacionadas à AIDS caíram em mais de 25% entre 2005 e 2011, diz relatório do UNAIDS.

O relatório do Dia Mundial da AIDS Resultados, publicado hoje (20) pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (UNAIDS), mostra que a aceleração sem precedentes na luta contra a AIDS está produzindo resultados. O documento revela que uma redução de mais de 50% na taxa de novas infecções por HIV foi alcançada em 25 países de baixa e média renda – mais da metade na África, a região mais afetada pelo HIV.

Em alguns dos países com maior prevalência de HIV no mundo, as taxas de novas infecções pelo HIV foram reduzidas drasticamente desde 2001; 73% no Malaui, 71% em Botsuana, 68% na Namíbia, 58% em Zâmbia, 50% no Zimbábue e 41% na África do Sul e Suazilândia. Além disso, a África Subsaariana também reduziu as mortes relacionadas à AIDS em um terço nos últimos seis anos e aumentou o número de pessoas em tratamento antirretroviral em 59% nos últimos dois anos.

“O ritmo do progresso é acelerado, o que costumava levar uma década agora está sendo alcançado em 24 meses”, disse o Diretor Executivo do UNAIDS, Michel Sidibé. “Esta é a prova de que com vontade política podemos alcançar nossos objetivos compartilhados em 2015”.

Novas infecções em crianças diminuem

A área onde talvez mais progresso esteja sendo feito é na redução de novas infecções por HIV em crianças. Metade das reduções globais de novas infecções pelo HIV nos últimos dois anos tem sido entre as crianças recém-nascidas. “Está ficando evidente que a obtenção de zero novas infecções por HIV em crianças é possível”, disse Sidibé. “Estamos passando do desespero para a esperança”.

Nos últimos dois anos, as novas infecções por HIV em crianças diminuíram 24%. Em seis países – Burundi, Quênia, Namíbia, África do Sul, Togo e Zâmbia – o número de crianças infectadas com o HIV caiu em pelo menos 40% entre 2009 e 2011.

1000 dias para o prazo final

Estima-se que 6,8 milhões de pessoas ainda não tenham acesso ao tratamento antirretroviral. O UNAIDS também estima que um adicional de quatro milhões de casais discordantes (quando um dos parceiros está vivendo com HIV) se beneficiaria de tratamento do HIV para proteger um dos parceiros contra a infecção pelo HIV.

Dos 34 milhões de pessoas que vivem com HIV, cerca de metade não conhece o seu estado sorológico. O relatório afirma que, se mais pessoas soubessem o seu estado, elas poderiam solicitar atendimento. Além disso, há uma necessidade urgente de melhorar as taxas dos tratamentos de HIV para reduzir o custo do tratamento de segunda e terceira linha, e explorar novas formas de expandir e sustentar o acesso ao tratamento, incluindo a produção nacional de medicamentos e de financiamento inovador.

Apesar dos progressos, o número total de novas infecções pelo HIV continua elevado: 2,5 milhões em 2011. O relatório destaca que para reduzir novas infecções por HIV os serviços de prevenção do HIV precisam ser combinados e realizados em escala mundial. Por exemplo, a ampliação da circuncisão médica masculina voluntária tem o potencial de prevenir uma em cada cinco novas infecções por HIV na África Oriental e do Sul até 2025.

O relatório mostra que o HIV continua a ter um impacto desproporcional sobre trabalhadores do sexo, homens que fazem sexo com homens e usuários de drogas injetáveis. Programas de prevenção e tratamento do HIV estão fracassando ao não atingir essas populações-chave.