UNAIDS esclarece metodologia para produção de estatísticas sobre HIV

O Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) estima que, em 2016, 19,5 milhões de pessoas em todo o mundo tinham acesso à terapia antirretroviral, usada para controlar a infecção pelo HIV. Mas você sabe como a agência da ONU calculou esse número? Para obter estatísticas confiáveis, o organismo usa diferentes estratégias e metodologias, consideradas referências internacionais.

Testagem para HIV. Foto: Agência Brasil/Marcelo Camargo

Testagem para HIV. Foto: Agência Brasil/Marcelo Camargo

O Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) estima que, em 2016, 19,5 milhões de pessoas em todo o mundo tinham acesso à terapia antirretroviral, usada para controlar a infecção pelo HIV. Mas você sabe como a agência da ONU calculou esse número? Para obter estatísticas confiáveis, o organismo usa diferentes estratégias e metodologias, consideradas referências internacionais.

Em cada país, equipes de especialistas — epidemiologistas, demógrafos, experts em monitoramento e avaliação — usam o software do UNAIDS, o Spectrum, uma vez por ano para fazer estimativas do número de indivíduos vivendo com HIV.

A compilação de dados também inclui informações sobre quantas foram as novas infecções pelo vírus e sobre o número de mortes relacionadas à AIDS. O software também recebe estatísticas sobre a cobertura da terapia antirretroviral e outros aspectos da resposta à epidemia. Os números produzidos pela tecnologia são, então, enviados ao UNAIDS.

A agência da ONU explica que as informações disponibilizadas por cada nação precisam ser analisadas e validadas, para garantir que os resultados sejam comparáveis ​​entre regiões, países e períodos temporais distintos.

A maneira como os dados são estimados dependem do estado da epidemia de HIV no país. Nas nações onde o HIV se espalhou para a população em geral, as estatísticas são obtidas de mulheres grávidas que frequentam clínicas pré-natais. No passado, apenas uma amostra de mulheres grávidas que frequentavam uma rede de clínicas seria testada para o HIV como parte dos esforços de vigilância. Cada vez mais, porém, os países passaram a usar dados programáticos sobre o nível de infecção pelo HIV entre todas as mulheres grávidas testadas em unidades de saúde.

Esses dados são combinados a levantamentos mais amplos, representativos de toda a população dos países. Tais pesquisas incluem os homens, mas são conduzidas com menos frequência. Metodologias orientam o cálculo da prevalência e da incidência do HIV, além das mortes relacionadas à AIDS e da cobertura da terapia antirretroviral.

Outros países têm epidemias de HIV em níveis menores. Se a transmissão do HIV ocorre principalmente entre populações-chave — pessoas que usam drogas injetáveis, profissionais do sexo, homens gays e outros homens que fazem sexo com homens, pessoas trans e pessoas privadas de liberdade —, os estudos de prevalência do HIV, que geralmente são focados nesses grupos, são usados com mais frequência para calcular estimativas e tendências nacionais.

Estatísticas sobre a dimensão das populações-chave estão sendo calculadas em um número crescente de países. Se estudos não estiverem disponíveis, as estimativas são feitas com base em dados da região local, de acordo com recomendações de especialistas. Outras fontes de dados — como pesquisas populacionais e a testagem entre mulheres grávidas — são usadas para estimar a prevalência do HIV na população em geral.

Estudos de caso

O UNAIDS também realiza uma validação contínua dos resultados do Spectrum com outros dados, para verificar como as estimativas correspondem à realidade. Recentemente, pesquisadores compararam dados do software com estatísticas sobre mulheres atendidas em clínicas pré-natais, com informações do censo e com dados de pesquisas populacionais em Manicaland, no Zimbábue.

As estimativas sobre incidência e prevalência do HIV feitas pelo Spectrum foram, em geral, compatíveis com os dados, embora algumas discrepâncias tenham sido encontradas.

Em 2016, o UNAIDS comparou as quantidades de medicamentos exportados pelos produtores de remédios genéricos e descobriu que elas são muito semelhantes aos relatórios programáticos sobre uso dos medicamentos e sobre os estoques dos países. Além disso, as recentes Avaliações de Impacto do HIV baseadas em População permitem uma comparação da cobertura do tratamento antirretroviral, pois trazem dados sobre a adesão ao tratamento autorrelatada e também mensuram a presença de medicamentos antirretrovirais diretamente nas amostras de sangue.

Em muitos países, os resultados da pesquisa sobre cobertura confirmam as informações obtidas em estudos de cobertura relatada pelos dados programáticos. Em casos em que os números parecem divergir, são realizadas investigações adicionais. Tais pesquisas e triangulações ajudam a tornar os dados mais precisos e refinam o modelo do Spectrum.

As estimativas sobre o acesso aos antirretrovirais podem ser vistas nos dois gráficos abaixo sobre o tratamento do HIV na África do Sul. O primeiro gráfico mostra como os dados de aquisição de medicamentos antirretrovirais estão próximos ao número de pessoas que relataram ter acesso aos remédios.

O segundo gráfico mostra como a estimativa percentual do UNAIDS de pessoas que vivem com HIV e têm acesso ao tratamento está de acordo com o percentual estimado pelo Conselho de Pesquisa de Ciências Humanas da África do Sul em 2012.

Imagem: UNAIDS

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