UNAIDS celebra evidências de que terapia antirretroviral interrompe transmissão do HIV

Teste de HIV. Foto: Agência Brasil/Arquivo

O Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) informou na semana passada (3) ter acolhido “calorosamente” os resultados do estudo PARTNER2, segundo os quais o HIV não é transmitido quando uma pessoa vivendo com o vírus está em terapia antirretroviral efetiva.

O estudo envolveu cerca de 1 mil casais gays sorodiferentes — em que um parceiro vive com HIV e o outro não — e mostrou que não houve transmissão quando a pessoa que vive com o vírus estava em terapia antirretroviral efetiva e tinha a carga viral suprimida.

“É uma excelente notícia. Agora, temos mais uma confirmação de que, entre as pessoas que vivem com HIV e que seguem o tratamento regularmente, a carga viral suprimida significa a não transmissão do vírus”, disse Michel Sidibé, diretor-executivo do UNAIDS.

“Isso gera uma mensagem forte e positiva que ajudará a reduzir o estigma relacionado ao HIV e melhorar a autoestima e a autoconfiança das pessoas que vivem com HIV.”

Até o fim do estudo, 15 das pessoas analisadas haviam sido infectadas pelo vírus. Análises virais mostraram que nenhuma das novas infecções estavam ligadas aos parceiros que viviam com o HIV, mas de outras pessoas fora dos relacionamentos. Os pesquisadores estimaram que, dentro do estudo, que ocorreu em 14 países europeus, cerca de 472 transmissões foram evitadas ao longo de oito anos.

O UNAIDS espera que os resultados encorajem mais pessoas a fazer o teste para o HIV e a receber tratamento efetivo. Nos últimos anos, houve uma enorme expansão na implementação e na adoção da terapia antirretroviral.

Em 2017, das 36,9 milhões de pessoas vivendo com HIV no mundo, 59% (21,7 milhões) tiveram acesso ao tratamento e 47% se tornaram indetectáveis. São necessários esforços organizados para assegurar que todas as pessoas que vivem com HIV tenham acesso e adesão à terapia antirretroviral efetiva.

A maior parte das transmissões de HIV ainda acontece antes que as pessoas conheçam seu estado sorológico para o vírus. O risco de transmissão do HIV é maior nas semanas e meses imediatamente após a infecção, quando a carga viral é alta e é improvável que a pessoa que contraiu o vírus conheça seu estado sorológico, esteja em tratamento ou esteja indetectável.

Isso demonstra a importância de continuar os esforços de prevenção do HIV, incluindo o uso do preservativo e a profilaxia pré-exposição — medicamentos tomados por uma pessoa que não vive com HIV para prevenir a infecção pelo vírus.