UNAIDS apoia campanha de carnaval ‘Só alegria vai contagiar’

Agentes comunitários vão distribuir 400 mil preservativos no sambódromo do Rio e material educativo sobre doenças sexualmente transmissíveis e de incentivo a testagem do HIV. No Brasil, estima-se que 150 mil pessoas desconheçam que têm o vírus.

O professor Márcio Tadeu, coordenador do projeto 'Só a alegria vai contagiar'. Foto: UNIC Rio/Gustavo Barreto

O professor Márcio Tadeu, coordenador do projeto ‘Só a alegria vai contagiar’. Foto: UNIC Rio/Gustavo Barreto

O carnaval toma conta do Brasil e “Só alegria vai contagiar”. Este é o tema do projeto de prevenção a doenças sexualmente transmissíveis (DST) e testagem de HIV que foi lançado nesta sexta-feira (28), no sambódromo do Rio de Janeiro, com apoio do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (UNAIDS).

Mulheres das comunidades da Mangueira e do Morro dos Macacos, funcionários públicos e universitários vão abordar os foliões nas entradas da Marquês de Sapucaí para distribuir 400 mil preservativos, além de panfletos educativos e revistas com as letras dos sambas-enredo.

A iniciativa é da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e Universidade Veiga de Almeida, realizada em colaboração com a Liga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, a RioTur e organizações não governamentais.

“A campanha não fala só de prevenção à aids, fala da vida, do cuidado que tem de ter com seu próprio corpo, fala que quando você previne a questão da DST/aids também está se cuidando, e encaminha as pessoas, faz trabalhos com mulheres, com adolescentes, então é educação em saúde”, explica o coordenador do projeto, professor Márcio Tadeu, que atua nas duas universidades e trabalha com esses temas há 22 anos.

Parte da equipe reunida no Botequim do Samba, no setor dois do sambódromo do Rio de Janeiro, no dia do lançamento. De preto ao fundo, o diretor executivo adjunto do UNAIDS, Luiz Loures. Foto: UNIC Rio/Gustavo Barreto

Parte da equipe reunida no Botequim do Samba, no setor dois do sambódromo do Rio de Janeiro, no dia do lançamento. De preto ao fundo, o diretor executivo adjunto do UNAIDS, Luiz Loures. Foto: UNIC Rio/Gustavo Barreto

O grupo do professor Márcio Tadeu, que reúne 13 pesquisadores de diversas áreas, também esteve no lançamento para coletar dados para uma pesquisa sobre o uso do preservativo e a realização do teste diagnóstico para sífilis, HIV e hepatites virais pelos participantes do carnaval no sambódromo carioca.

Esta é a segunda fase da campanha, iniciada em novembro nos barracões e quadras das escolas de samba tanto do grupo especial como o de acesso. Após o carnaval, ainda terá prosseguimento nas comunidades, principalmente no entorno das escolas de samba Mangueira, Salgueiro, Unidos da Tijuca e Unidos de Vila Isabel, com palestras, oficinas sobre educação sexual e treinamento.

O projeto também será adaptado, com ajuda de universitários africanos que estudam no Rio, para ser levado para Moçambique e Angola.

No Brasil, estima-se que mais de 718 mil pessoas entre 15 e 49 anos vivam com HIV e aproximadamente 150 mil não saibam que estão infectadas. A epidemia no Rio de Janeiro apresenta a segunda maior taxa de mortalidade por aids no país, logo atrás do Rio Grande do Sul. O estado é uma das cinco unidades federativas com maior número de pessoas vivendo com aids.

‘Discriminação é mais forte do que o vírus’, afirma UNAIDS

E no embalo do carnaval, a ONU também vai celebrar o Dia Mundial da ‘Zero Discriminação’, em 1º de março.

O UNAIDS vai levar para o sambódromo as borboletas coloridas, símbolo dessa iniciativa para inspirar a transformação e que está sendo disseminada principalmente nas mídias sociais, com sucesso em vários países.

Fotos de pessoas de comunidades vulneráveis, assim como autoridades e outras personalidades segurando as borboletas estão se espalhando pela Internet.

“A discriminação hoje é mais importante do que o vírus. A discriminação é mais forte do que o vírus da aids”, avalia o diretor executivo adjunto do UNAIDS, Luiz Loures.

O coordenador do projeto 'Só a alegria vai contagiar', o professor Márcio Tadeu (à esquerda), com o diretor executivo adjunto do UNAIDS, Luiz Loures (ao centro) e o carnavalesco e cenógrafo Milton Cunha, segurando o selo da campanha da #ZeroDiscrimination, do UNAIDS. Foto: UNIC Rio/Gustavo Barreto

O coordenador do projeto ‘Só a alegria vai contagiar’, o professor Márcio Tadeu (à esquerda), com o diretor executivo adjunto do UNAIDS, Luiz Loures (ao centro) e o carnavalesco e cenógrafo Milton Cunha, segurando o selo da campanha da #ZeroDiscrimination, do UNAIDS. Foto: UNIC Rio/Gustavo Barreto

“Nós sabemos como tratar, nesses 30 anos, nós observamos progressos superimportantes, não existe paralelos na História, progressos científicos, principalmente na área biomédica e eu acho que a gente tem os instrumentos hoje para poder avançar mesmo em direção ao fim da epidemia, mas o desafio da discriminação é o maior impedimento nesse sentido”, afirma.

Na opinião de Loures, o Brasil é o melhor país para formar uma liderança global para intensificar a luta contra a discriminação por ter um histórico de mais tolerância com a diversidade do que outras nações.