‘Uma geração inteira pode ser prejudicada pela fome’, diz ONU sobre Iêmen

O Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas (PMA) manifestou profunda preocupação com a deterioração da segurança alimentar e com as crescentes taxas de desnutrição infantil no Iêmen, país que está devastado pela guerra.

Faisal tem 18 meses e sofre grave desnutrição aguda. Ele recebe tratamento no hospital Sabeen, na capital do Iêmen, Sanaa. Foto: UNICEF /Yasin

Faisal tem 18 meses e sofre grave desnutrição aguda. Ele recebe tratamento no hospital Sabeen, na capital do Iêmen, Sanaa. Foto: UNICEF /Yasin

O Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas (PMA) manifestou na semana passada (25) profunda preocupação com a deterioração da segurança alimentar e com as crescentes taxas de desnutrição infantil no Iêmen, país que está devastado pela guerra.

Avaliação realizada em junho deste ano apontou que 14,1 milhões de pessoas no Iêmen estão em situação de insegurança alimentar, incluindo 7 milhões em condições graves. Em algumas províncias, 70% da população está lutando para se alimentar.

“A fome está aumentando a cada dia e as pessoas já esgotaram todas as suas estratégias de sobrevivência. Milhões de civis não poderão resistir sem ajuda externa”, afirmou o diretor regional do PMA para o Oriente Médio, o norte da África, a Europa Oriental e a Ásia Central, Muhannad Hadi.

De acordo com Muhannad Hadi, o conflito no Iêmen está tomando uma proporção devastadora, especialmente para os mais vulneráveis, como mulheres e crianças.

O PMA informou que está buscando tratar e ajudar a prevenir desnutrição entre cerca de 700 mil crianças com menos de 5 anos, grávidas e lactantes. O trabalho está sendo feito através de parceiros locais em 2,2 mil centros de saúde em 14 províncias do país.

Segundo o diretor da agência da ONU no Iêmen, Torben Due, “uma geração inteira pode ser prejudicada pela fome”.

“Precisamos fornecer uma porção completa para cada família necessitada. Mas, infelizmente, o PMA teve de reduzir o tamanho da cesta de alimentos e dividir ajuda entre famílias empobrecidas, a fim de atender às necessidades crescentes”, acrescentou.

Uma equipe do PMA esteve recentemente em bairros empobrecidos e conversou com residentes e autoridades locais nas províncias de Hajjah, no nordeste do país, e em Hodeidah, no Mar Vermelho.

Segundo a agência, eles descreveram uma situação muito dramática, com as pessoas lutando diariamente para atender suas necessidades alimentares.

Mesmo antes do conflito, o Iêmen já registrava uma das mais altas taxas de desnutrição do mundo. Em algumas áreas, como a província de Hodeidah, foram registrados índices globais de desnutrição aguda de até 31% entre crianças com menos de cinco anos.

A insegurança torna o acesso a alguns locais no país um desafio. Durante a pausa humanitária de 72 horas na semana passada, o PMA conseguiu chegar a três distritos na província de Taiz, fornecendo assistência alimentar a 155 mil pessoas.

A distribuição de comida em algumas áreas continua, e a agência informou que vai cobrir outras 189 mil pessoas em três outros locais que eram de difícil acesso nas últimas semanas.

O PMA precisa de mais de 257 milhões de dólares para fornecer assistência vital até março de 2017.