Uma em cada três mulheres já foi vítima de violência, alerta Fundo de População da ONU

Cerca de 600 mil rohingyas já deixaram Mianmar em busca de segurança em Bangladesh, desde o final de agosto. Crise foi lembrada pela diretora-executiva do UNFPA, Natalia Kanem, em mensagem para 25 de novembro, Dia Internacional pelo Fim da Violência contra as Mulheres. Foto: UNFPA/Naymuzzaman Prince

Em pronunciamento para o Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra a Mulher, observado em 25 de novembro, a diretora-executiva do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), Natalia Kanem, alertou que uma em cada três mulheres no mundo já sofreu alguma forma de violência em algum momento de sua vida. Dirigente condenou violações de direitos que “roubam os futuros de mulheres e meninas”, prejudicando seu desenvolvimento e sua saúde.

“O UNFPA aborda os efeitos físicos e emocionais da violência baseada no gênero e promove o direito de todas as mulheres e meninas de viverem livres de violência e abuso. Somente em 2016, nossos serviços alcançaram mais de 11 milhões de pessoas em 54 países”, afirmou Natalia, que explicou que a resposta agressões em situações de crise humanitária é uma das prioridades da agência.

A chefe do organismo internacional lembrou a história de Shakila, uma integrante do povo rohingya que fugiu de Mianmar, seu país de origem, em busca de segurança em Bangladesh, nação vizinha. A refugiada conta que foi estuprada depois de ter sido forçada a assistir ao assassinato de seu marido e de sua filha.

“O UNFPA concentra seu trabalho, nos 155 países que atendemos, nas mulheres mais pobres, mais vulneráveis e excluídas do mundo, como Shakila, que recebeu assistência médica e aconselhamento de um centro apoiado pelo UNFPA em Cox’s Bazar, Bangladesh”, explicou Natalia.

Apesar dos elevados riscos enfrentados por mulheres em contextos de conflitos, a dirigente enfatizou que a violência de gênero é um problema em todos os lugares, todos os dias, e não apenas em emergências humanitárias. “Uma em cada três mulheres em todo o mundo experimentou violência em algum momento de suas vidas”, ressaltou.

Lembrando que os Estados-membros da ONU assumiram o compromisso de acabar com a violência de gênero até 2030, Natalia chamou países e sociedade civil a somarem esforços entre si e com as Nações Unidas, a fim de pôr fim a esse flagelo.

A autoridade máxima do UNFPA convidou comunidades e governantes a participarem da campanha 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres, que teve início no sábado e vai até 10 de dezembro, Dia dos Direitos Humanos. Ao longo de mais de duas semanas, agências da ONU e parceiros promovem iniciativas de conscientização sobre abusos e agressões baseados em gênero.