Uma em cada três crianças na Venezuela precisa de assistência humanitária para ter saúde, educação e nutrição

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) informou neste mês (7) que 3,2 milhões de meninos e meninas na Venezuela precisam de assistência humanitária para acessar serviços básicos de nutrição, saúde e educação.

Segundo a agência da ONU, o contingente equivale a um terço das crianças do país. Entre 2014 e 2017, a nação latina-americana teve um aumento de mais de 50% na mortalidade infantil entre jovens com menos de cinco anos de idade.

No terraço da escola El Carmen, em Petare, nos arredores de Caracas, crianças encontram um espaço seguro para brincar. Nas ruas, atividades recreativas tornaram-se um risco por causa da crise venezuelana e os jovens têm que ir direto para casa assim que saem do centro de ensino. Foto: UNICEF/Velasquez

No terraço da escola El Carmen, em Petare, nos arredores de Caracas, crianças encontram um espaço seguro para brincar. Nas ruas, atividades recreativas tornaram-se um risco por causa da crise venezuelana e os jovens têm que ir direto para casa assim que saem do centro de ensino. Foto: UNICEF/Velasquez

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) informou neste mês (7) que 3,2 milhões de meninos e meninas na Venezuela precisam de assistência humanitária para acessar serviços básicos de nutrição, saúde e educação. Segundo a agência da ONU, o contingente equivale a um terço das crianças do país. Entre 2014 e 2017, a nação latina-americana teve um aumento de mais de 50% na mortalidade infantil entre jovens com menos de cinco anos de idade.

Paloma Escudero, diretora de Comunicação do UNICEF, descreveu como “devastadora” a atual crise econômica e política na Venezuela. Desde o início de 2019, o organismo internacional conseguiu entregar 55 toneladas de materiais de saúde para a população venezuelana. Os suprimentos foram distribuídos em 25 hospitais nos estados de Caracas, Miranda, Zulia, Bolívar e Táchira, alguns dos mais afetados pela atual conjuntura. Os mantimentos incluem kits obstétricos, antibióticos e medicamentos para o tratamento da malária. Também desde janeiro, foram identificados 190 casos suspeitos de difteria e 558 casos suspeitos de sarampo no país.

Com as operações desse semestre, subiu para quase 200 toneladas o volume de itens de ajuda humanitária disponibilizados pelo UNICEF na Venezuela ao longo dos últimos 12 meses.

“Continuaremos a fornecer às crianças mais vulneráveis, onde quer que estejam, o apoio humanitário que necessitam. As necessidades das crianças devem sempre permanecer acima da política”, afirmou Paloma, que concluiu na semana passada uma visita de três dias à Venezuela.

Durante sua estadia, a profissional da agência da ONU encontrou-se com agentes de saúde e mães que contaram os desafios diários em dar e receber cuidados médicos.

“Muitos médicos e enfermeiras deixaram o país. Os centros médicos estão funcionando com capacidade mínima devido à falta de medicamentos. A falta de peças de reposição estagnou unidades de saúde móveis e ambulâncias. As mulheres grávidas, muitas delas muito jovens e anêmicas, estão lutando para obter os cuidados de que necessitam”, explicou a chefe de Comunicação.

“Com o agravamento da escassez de combustível, elas (as gestantes) nem sequer conseguem chegar aos centros de saúde. As mulheres em trabalho de parto precisam trazer seus próprios suprimentos obstétricos quando chegam ao hospital. Para um país que fez progressos notáveis ​​durante décadas na qualidade de seus cuidados de saúde, isso é bastante dramático.”

O UNICEF também expressou preocupação com o fato de que a conjuntura venezuelana tenha reduzido o acesso das crianças a serviços essenciais e aumentado a sua vulnerabilidade, retrocedendo anos de avanços.

Operações humanitárias

Até o momento, em 2019, o UNICEF e parceiros de ambos os lados políticos garantiram que:

  • Mais de 400 mil pessoas tivessem acesso a água potável e outras 25,3 mil pessoas a serviços de água, saneamento e higiene em centros de saúde, escolas e nos Espaços de Aprendizagem e Espaços Amigos da Criança;
  • Quase 75 mil crianças com menos de cinco anos recebessem suplementação de micronutrientes e que outras 3,5 mil crianças recebessem tratamento ambulatorial para desnutrição aguda;
  • Tabelas de desparasitação fossem fornecidas para 4,3 milhões de crianças e mulheres grávidas e lactantes;
  • Quase 9 milhões de doses da vacina contra a difteria, 176 mil doses da vacina contra o sarampo, caxumba e rubéola e 260 mil doses da vacina contra a febre amarela fossem disponibilizadas para uma campanha nacional de imunização;
  • Mais de 260 kits de educação fossem fornecidos para 150 mil crianças em escolas públicas;
  • Apoio psicossocial fosse fornecido para quase 10 mil crianças e jovens.

Mas de acordo com Paloma, essas medidas tocam apenas “a superfície” da crise. “Milhões de crianças precisam ser imunizadas, ir à escola, beber água potável e se sentir protegidas. Temos planos para aumentar ainda mais a nossa resposta, mas precisamos de mais financiamento flexível que nos permita alcançar as crianças necessitadas com os serviços de que precisam.”

O UNICEF reforçou a sua presença no terreno, com escritórios perto das fronteiras com a Colômbia e com o Brasil, tornando-se uma das agências com maior impacto operacional na Venezuela.

As necessidades de financiamento do organismo internacional cresceram, com planos para fornecer mais vacinas, reabilitar o sistema de água e saneamento, providenciar tratamento de desnutrição e suprimentos médicos e garantir que as crianças tenham o apoio de educação e de proteção que são essenciais para seu futuro e bem-estar.

“Estamos empenhados para chegar às crianças necessitadas, com apoio de qualidade, em tempo hábil. Contamos com o apoio de nossos doadores, enquanto continuamos a aumentar a nossa resposta e a fortalecer nossos mecanismos de monitoramento no terreno”, completou Paloma.


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