Uma em cada dez crianças não recebeu nenhuma vacina no ano passado, alerta ONU

Agências da ONU pedem maior cobertura de vacinação para crianças em situação de vulnerabilidade. Globalmente, cerca de 13 milhões de crianças – quase uma em cada dez – não receberam nenhuma vacina no último ano, ficando em sério risco de contraírem doenças potencialmente fatais.

As informações são do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e da Organização Mundial da Saúde (OMS), que pediram mais esforços para estender o alcance dos serviços de saúde.

Agentes de saúde vacinam uma criança em um centro médico na aldeia de Al-Radwanieh, área rural de Alepo, Síria. Foto: UNICEF / Al-Issa

Agentes de saúde vacinam uma criança em um centro médico na aldeia de Al-Radwanieh, área rural de Alepo, Síria. Foto: UNICEF / Al-Issa

Globalmente, cerca de 13 milhões de crianças – quase uma em cada dez – não receberam nenhuma vacina no último ano, ficando em sério risco de contraírem doenças potencialmente fatais. As informações são do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e da Organização Mundial da Saúde (OMS), que pediram, na última segunda (17), mais esforços para estender o alcance dos serviços de saúde.

“Todo contato com o sistema de saúde deve ser visto como uma oportunidade para imunizar”, ressaltou o diretor de imunização da OMS, Jean-Marie Okwo-Bele, observando que a maioria daqueles que permanecem sem vacinação são os mesmos que não têm acesso aos sistemas de saúde.

“Essas crianças provavelmente também não receberam nenhum dos outros serviços básicos de saúde. Se quisermos aumentar a cobertura global de imunização, os serviços de saúde devem atingir as pessoas não alcançadas”, acrescentou.

De acordo com estimativas da OMS e do UNICEF, 6,6 milhões de crianças receberam sua primeira dose da vacina tríplice bacteriana, mas não completaram o regime completo de imunização, de três doses. Completar a série de vacinação é fundamental para garantir o maior nível de proteção contra essas doenças.

Além disso, de acordo com as agências das Nações Unidas, desde 2010 a porcentagem de crianças que receberam o ciclo completo de imunizações de rotina ficou estagnada em 86% – em 116,5 milhões de crianças.

Das 10 milhões de crianças estimadas, em 64 Estados-membros da OMS que não alcançaram esse objetivo, 7,3 milhões vivem em situação de vulnerabilidade ou em emergências humanitárias, incluindo países afetados por conflitos.

Dessas, 4 milhões estão em apenas três países – Afeganistão, Nigéria e Paquistão –, onde o acesso a serviços de vacinação de rotina é fundamental para alcançar e manter a erradicação de doenças como a poliomielite. Da mesma forma, República Centro-Africana, Chade, Guiné Equatorial, Nigéria, Somália, Sudão do Sul, Síria e Ucrânia registraram menos de 50% de cobertura para o regime completo de imunização, no ano passado.

Na batalha contra o sarampo, 85% das crianças receberam a primeira dose no primeiro aniversário, mas apenas 64% receberam a segunda.

Menina de 1 ano de idade segurada pela mãe durante um exame médico na Ucrânia. A Ucrânia é um dos países que registrou menos de 50% de cobertura para o regime completo de imunização no ano passado. Foto: UNICEF / Pirozzi

Menina de 1 ano de idade segurada pela mãe durante um exame médico na Ucrânia. A Ucrânia é um dos países que registrou menos de 50% de cobertura para o regime completo de imunização no ano passado. Foto: UNICEF / Pirozzi

Segundo as agências, é necessário um conjunto de esforços para obter progresso contra a rubéola – que pode causar deficiência auditiva, defeitos cardíacos congênitos, cegueira e outras deficiências ao longo da vida –, cuja cobertura global aumentou de 35% em 2010 para 47% no ano passado.

As vacinas mais recomendadas recentemente ainda não alcançaram metade das crianças do mundo. Elas protegem dos grandes “assassinos” da infância – como o rotavírus, uma doença que causa diarreia grave e pneumonia. A vacinação tem potencial para reduzir substancialmente as mortes de crianças menores de cinco anos, uma das principais metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Imunização desigual

De acordo com os dados da OMS e do UNICEF, muitos países de renda média ainda estão atrasados na introdução de vacinas novas e mais caras. A persistência dessa disparidade implica, segundo as agências, na necessidade de mais esforços para reduzir as desigualdades de cunho econômico familiar, como investimento em educação das mães e pessoas que vivem em áreas rurais e urbanas em muitos países.

Enfatizando a importância da imunização como uma das intervenções mais “pró-igualdade” atualmente disponíveis, Robin Nandy, chefe de imunizações do UNICEF, afirmou: “Trazer vacinas que salvam vidas às comunidades mais pobres, mulheres e crianças deve ser considerada uma prioridade máxima em todos os contextos”.

A vacinação previne, atualmente, entre 2 a 3 milhões de mortes por ano, como difteria, tétano, coqueluche e sarampo. É uma das intervenções de saúde pública mais bem-sucedidas e econômicas.