‘Um terço do Iraque está sob o controle e governança do ISIL’, afirma chefe da Missão da ONU

Dirigindo-se ao Conselho de Segurança, funcionário das Nações Unidas alerta sobre a situação preocupante no país que sofre com a ação de terroristas do ISIL.

Muitos iraquianos fugiram grupo terrorista se refugiram na região do Curdistão. Foto: OCHA / Iason Athanasiadis

Muitos iraquianos fugiram grupo terrorista se refugiram na região do Curdistão. Foto: OCHA / Iason Athanasiadis

Com o Iraque enfrentando “uma das fases mais difíceis da sua história moderna”, o governo, sua liderança e, acima de tudo, os próprios iraquianos, vão precisar de apoio “contínuo e maciço” e assistência da comunidade internacional, disse o chefe da Missão da ONU no país ao Conselho de Segurança nesta quarta-feira (22).

Desde o violento ataque do verão passado por terroristas do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIL), o Iraque enfrenta desafios aparentemente assustadores e persistentes, alertou Jan Kubiš, representante especial e líder da Missão de Assistência da ONU no Iraque (UNAMI), destacando que, no entanto, há esperança, oportunidades e visão para para sair da crise.

O processo político iraquiano está avançando, mas sem o vigor necessário, explicou Kubiš. Elogiando o governo por “muitos sucessos”. No entanto, advertiu que a unidade por trás da criação do atual governo ainda não foi totalmente traduzida para “unidade de propósito ou ação”.

Um ano após a queda de Mosul, um terço do Iraque continua sob o controle e governança do ISIL, afirmou o representante especial. Ele também recordou que o custo humano do conflito continua a ser “demasiadamente elevado”. Desde sua última reunião com o Conselho, em maio, a UNAMI já registrou pelo menos 1,2 mil civis mortos e mais de 2 mil feridos como resultado de ataques terroristas ou conflitos armados.

Além disso, a situação humanitária é gravíssima. “Pelo menos 8,2 milhões, cerca de um em cada quatro iraquianos precisa de assistência urgente. Mais de três milhões de pessoas estão deslocadas internamente e parceiros [da ONU] estimam que quase um milhão a mais são suscetíveis de ser deslocados pelo contínuo conflito e pela violência nos próximos meses”, disse Kubiš, acrescentando que cerca de 300 mil refugiados, principalmente da Síria, têm procurado segurança no país.