Um quinto dos latino-americanos entre 12 e 18 anos não frequenta a escola, diz novo relatório da ONU

Entre os principais motivos estão inserção no mercado de trabalho e falta de interesse no sistema educativo (entre os rapazes) e, entre as meninas, realização de trabalho doméstico e maternidade precoce.

Crianças haitianas participam de programa do UNICEF. Foto: ONU/Victoria Hazou

Foi lançado nesta segunda-feira (31) o relatório “Adolescentes: direito à educação e ao bem-estar futuro”, produzido pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) e o escritório regional do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). O documento destaca que um quinto dos adolescentes, rapazes e moças com idades entre 12 e 18 anos, vivendo nos países da América Latina e Caribe, não frequenta o ensino formal.

Apesar de praticamente todas as crianças com 11 anos frequentarem a escola, entre os rapazes de 17 anos o  índice de desistência chega a 50% e somente um em cada três jovens finaliza a escola secundária sem repetência.

Entre os principais motivos para o abandono dos estudos estão, entre os rapazes, a inserção no mercado de trabalho e a falta de interesse no sistema educativo e, entre as meninas, a realização de trabalho doméstico não remunerado e a maternidade precoce.

A publicação, que reúne pesquisas e estudos sobre educação, emprego, rotina e saúde dos jovens latino-americanos, mostra também que o abandono precoce e a repetição de séries se concentram nas camadas de menor poder aquisitivo, nas populações indígenas e afrodescendentes e nas áreas rurais.

Enquanto apenas 20% dos jovens no quintil inferior da distribuição de renda completam o ensino secundário, a taxa dispara para em torno de 80% para os do quintil superior.

“Os adolescentes são e serão protagonistas das grandes transformações socioeconômicas esperadas para a próxima década”, enfatizaram, no lançamento, a secretária executiva da CEPAL, Alicia Bárcena, e o diretor regional do UNICEF, Bernt Aasen. “Para isso, eles precisam exercer seus direitos de maneira plena e sem nenhum tipo de discriminação.”