Um quarto dos habitantes de Ilhas do Pacífico vive abaixo da linha da pobreza

Apesar de progressos nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) nos últimos quatro anos, alguns Estados insulares vulneráveis estão perdendo ritmo na corrida para 2030, de acordo com discussões realizadas na quarta-feira (10) em Nova Iorque durante o Fórum Político de Alto Nível para Desenvolvimento Sustentável (HLPF). Segundo dados apresentado ao Fórum, um em cada quatro habitantes de Ilhas do Pacífico vive abaixo da linha de pobreza.

Crianças andam de bicicleta nas ruas de Tuvalu. Foto: PNUD

Apesar de progressos nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) nos últimos quatro anos, alguns Estados insulares vulneráveis estão perdendo ritmo na corrida para 2030, de acordo com discussões realizadas na quarta-feira (10) em Nova Iorque durante o Fórum Político de Alto Nível para Desenvolvimento Sustentável (HLPF). Segundo dados apresentado ao Fórum, um em cada quatro habitantes de Ilhas do Pacífico vive abaixo da linha de pobreza.

Em 2015, as Nações Unidas estabeleceram uma visão para “pessoas, planeta, paz e prosperidade” através de parcerias e solidariedade, quando adotou sua Agenda 2030 para Desenvolvimento Sustentável. Até o momento, no entanto, muitos pequenos Estados insulares em desenvolvimento (SIDS, na sigla em inglês), ainda enfrentam persistentes desafios ligados à pobreza, à desigualdade e aos impactos climáticos.

Falando em nome de membros do Fórum de Ilhas do Pacífico, Fiame Naomi Mata’afa, vice-primeira-ministra de Samoa e ministra de Recursos Naturais e Meio Ambiente, detalhou um cenário de corais morrendo e de aumento no número de ciclones, enchentes e secas.

“Um evento catastrófico está desfazendo décadas de progressos, ceifando vidas, destruindo infraestruturas vitais, casas, biodiversidade e afetando negativamente a segurança alimentar e a entrega de serviços e meios de subsistência”, afirmou. “Além disso, a geração de lixo está superando nossa capacidade de gestão e está impactando nosso meio ambiente, oceano e vida marinha”.

Conforme os SIDS lutam contra os impactos da crise climática, que amplificam desafios e vulnerabilidades, a realidade de inseguranças e de resultados ruins em desenvolvimento prevalece em muitos países. A principal causa de perda de terras é o aumento do nível do mar.

Segundo Mata’afa, um a cada quatro habitantes de ilhas do Pacífico vive abaixo da linha de pobreza.

“Desemprego, especialmente de mulheres e jovens, é alto; desemprego entre os jovens é o dobro em relação à taxa global”, afirmou. “No Pacífico, os homens superam as mulheres em empregos pagos na proporção de dois para uma”, acrescentou.

Além disso, algumas das maiores taxas do mundo de violência contra as mulheres estão no Pacífico. A representação de mulheres em Parlamentos do Pacífico também é a menor globalmente, em 7,7%.

“Dos quatro países em todo o mundo que não têm mulheres parlamentares, três estão no Pacífico”, afirmou.

Em relação a doenças não comunicáveis, ela destacou que, sobre diabetes, sete países do Pacífico estão no Top 10 global. Em 10 SIDS, cinco a cada 10 habitantes estão acima do peso.

“Uma abordagem holística” é necessária

Em relação aos Países Menos Desenvolvidos (LDC, na sigla em inglês), o Fórum de Alto Nível avaliou progressos e desafios em alguns dos países mais vulneráveis do mundo, onde populações correm o risco de serem deixadas para trás, muitas em situações de conflito ou pós-conflitos.

Muitas pessoas em LDC e países em desenvolvimento sem litoral estão sendo afetadas pela pobreza e pela falta de acesso a serviços básicos. Além de elas não se beneficiarem do crescimento econômico, as altas taxas anuais de crescimento populacional também apresentam desafios para matrícula na educação superior e no treinamento de força de trabalho capacitada.

Para alcançar resultados sustentáveis, o desenvolvimento precisa ser “um processo holístico”, disse Saad Al Farargi, relator especial sobre o direito ao desenvolvimento. O processo precisa de participação e envolvimento de diversos grupos, incluindo Estados, organizações internacionais, sociedade civil, academia e setor privado.

“Programas e políticas de desenvolvimento só podem ter sucesso se responderem às prioridades certas”, afirmou. “Para fazer isto, processos participativos de consultas, abertos para todos os segmentos da sociedade, precisam ser visados”.