Um milhão de crianças por ano ainda não completam dois dias de vida, segundo UNICEF

Apesar das notáveis melhoras na taxa de sobrevivência infantil desde 1990, muitos recém-nascidos não resistem a complicações médicas que poderiam ser facilmente prevenidas. 

Mulheres com seus bebês em maternidade em Guiné. Foto: UNICEF/Olivier Asselin

Mulheres com seus bebês em maternidade em Guiné. Foto: UNICEF/Olivier Asselin

Um milhão de bebês por ano não conseguem sobreviver além do seu segundo dia de vida, divulgou o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) nesta terça-feira (16). Apesar das notáveis melhoras na taxa de mortalidade infantil desde 1990, muitos recém-nascidos não resistem a complicações médicas que poderiam ser facilmente prevenidas. 

Nos últimos 24 anos, o número anual de falecimentos de crianças abaixo dos cinco anos caiu pela metade – de 12,7 para 6,3 milhões. Dentre estes, quase 2,8 milhões são bebês em seus primeiros 28 dias de vida, a fase que exige mais cuidados para o recém-nascido. 

De acordo com a vice-diretora executiva do UNICEF, Geeta Rao Gupta, é comprovado que as chances de sobrevivência de uma criança aumentam dramaticamente quando a mãe tem acesso a serviços de saúde de qualidade durante a gravidez, o nascimento e o período pós-parto. 

O relatório da UNICEF indica que os segmentos mais pobres estão reduzindo em maior velocidade suas taxas de mortalidade abaixo dos cincos anos de idade do que os mais ricos – com exceção da África Subsaariana. Porém, Gupta lembrou que ainda há um longo caminho para garantir que os mais vulneráveis tenham acesso efetivamente a um atendimento médico de qualidade. 

Cerca de metade das mulheres não concluem o mínimo de quatro consultas pré-natais  durante a gravidez e um terço dos bebês no mundo todo – cerca de 44 milhões – nascem sem o aparato médico adequado, principalmente entre os países mais pobres e as mães que não completaram sua educação. 

Para reverter este quadro, o programa “Compromisso com a Sobrevivência Infantil: Uma Promessa Renovada”, promovido pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, propõe a intensificação dos esforços globais a favor do progresso nos serviços de saúde e nas taxas de sobrevivência de mães e filhos. Desde junho de 2012, 178 países, incluindo o Brasil, participam do movimento.