Ucrânia: relatório da ONU sobre crise no leste do país revela situação de ‘colapso’ da lei e ordem

Segundo o documento, aumentaram as evidências de sequestros, detenções, tortura e assassinatos, assim como um número de “tendências preocupantes” emergindo na Crimeia.

Uma mulher deslocada internamente dobra roupas num sanatório na Ucrânia que tem acolhido pessoas da Crimeia. Foto: ACNUR/N.Dovga

Uma mulher deslocada internamente dobra roupas num sanatório na Ucrânia que tem acolhido pessoas da Crimeia. Foto: ACNUR/N.Dovga

O escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) publicou nesta quarta-feira (18) um relatório sobre a crise ucraniana onde descreve uma situação de “colapso” da lei e da ordem nas áreas ocupadas por grupos armados no leste do país.

Segundo o documento, aumentaram as evidências de sequestros, detenções, tortura e assassinatos, assim como um número de “tendências preocupantes” emergindo na Crimeia.

A alta comissária para os Direitos Humanos, Navi Pillay, afirmou que “tudo o que eles (os grupos armados) alcançaram foi um clima de insegurança e medo que tem tido um enorme impacto negativo em milhares de pessoas”.

Assim, Pillay disse que “chegou o tempo de baixar as armas e dialogar”. No relatório destaca-se uma deterioração contínua dos direitos humanos na região de Donetsk e Luhansk, onde “sequestros, detenções, ações de maus-tratos e tortura, bem como assassinatos por parte dos grupos armados afetam agora toda a população”.

Como resultado desta situação, várias pessoas veem abandonando as duas regiões, sendo que na Crimeia a situação também está piorando no que diz respeito “aos direitos de liberdade de expressão, reunião pacífica, associação, religiosos e de crença”.

No relatório destaca-se que o governo ucraniano está tomando os primeiros passos para a reforma constitucional que inclui uma descentralização do poder e um estatuto especial para a língua russa.

No entanto, Pillay apelou ao governo do país para que “seja moderado, assegure que as operações de segurança estejam sempre de acordo com os padrões internacionais e seja cuidadoso na proteção dos civis durante conflitos com os grupos armados”.

Por outro lado, o assistente do secretário-geral para os Direitos Humanos, Ivan Šimonović, também afirmou que a Rússia deve conter o fluxo de combatentes e voluntários russos “que se já se confirmou estarem presentes entre os grupos armados”.

Acesse o relatório em http://bit.ly/1qehOE7