TV Globo promove debate sobre juventude, racismo e violência

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A TV Globo promoveu debate com a presença de ativistas e celebridades para tratar do tema da juventude, focando em questões como racismo, violência, educação e gênero.

Discussões ocorreram em meio à 31ª edição da campanha Criança Esperança, cuja arrecadação será destinada a 62 instituições, de todas as regiões do país, selecionadas pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) no Brasil.

Criança Esperança

A TV Globo promoveu um debate com a presença de ativistas e celebridades para tratar de questões ligadas à juventude, focando em temas como racismo, violência, educação e questões de gênero, no âmbito da 31ª edição da campanha Criança Esperança.

A campanha deste ano terá como tema o jovem como sujeito do processo de modificação social. Para tratar de questões ligadas a esse público, a emissora promoveu o seminário “Como vai você, jovem brasileiro?”, reunindo ativistas e artistas como Dira Paes, Flávio Canto, Lázaro Ramos e Leandra Leal.

Também participaram jovens lideranças engajadas em causas relacionadas a racismo, gênero, violência e educação, como Monique Evelle, Enderson Araújo, Gustavo Empinotti e Jéssica Tauane. O apresentador Pedro Bial mediou o debate, que será exibido na GloboNews no sábado (18), às 21h00.

Lázaro Ramos e Monique Evelle, fundadora do projeto Desabafo Social, tomaram a frente na discussão sobre os avanços do Brasil em reconhecer a desigualdade social.

“Quando começamos a discutir o racismo, surgem logo várias afirmações: que é vitimismo, que o preconceito começa com os negros. A gente sabe que não é assim. Até mesmo os negros que estão inseridos sofrem com salários mais baixos, por exemplo”, afirmou Lázaro Ramos.

“Discutir privilégio dói, vai acabar com o seu conforto”, completou Monique, considerada uma das mulheres negras mais influentes da Internet.

Flavio Canto, que há 16 anos comanda o Instituo Reação, já tem experiência em lidar com jovens em situação de risco.

“A gente vive em um país tão dividido, há um distanciamento muito grande. Eu sou exemplo disso: subi pela primeira vez em uma favela com 25 anos e meu mundo mudou”, disse. “Quando comecei o instituto, a gente pensava muito em prevenção. Trabalhar com uma garotada a partir de 4 anos e acompanhá-las pela vida inteira. A quantidade de jovens que poderia ter ido para o outro lado, e não foram, é muito grande”, destacou.

Enderson Araújo também ressaltou a importância de discutir o assunto. “Antes de nós, jovens negros, sermos violentos, nós somos violentados. A sociedade nos empurra a criminalidade como alternativa”, afirmou.

A atriz Dira Paes, por sua vez, chamou atenção para a questão indígena. “Eles lutam por seus direitos e não têm nenhuma garantia social. O racismo contra eles aparece desta forma”, lembrou.

Em uma época em que jovens estão ocupando as escolas em busca de melhores condições, a discussão sobre educação foi acalorada. Alexandre Ribeiro, participante do reality social Click Esperança, participou das ocupações e contou sua experiência.

“O que a gente aprendeu disso tudo é que esse espaço também é nosso. Demos uma nova cara para eles. Se a nossa voz está sendo ouvida, nosso ponto de vista muda, e a gente aprende a dialogar”, defendeu.

Para encerrar o programa, foi debatida a questão de gênero. Leandra Leal comentou o status da luta da mulher para afirmar sua singularidade.

“Os casos recentes de violência contra a mulher revelaram um aspecto arcaico da nossa sociedade, uma questão cultural no Brasil. Precisamos eleger mulheres, colocá-las em cargos de chefia, sermos mais bem representadas. Meu corpo me pertence, ele não é do Estado, nem de nenhuma religião”, ponderou.

Jéssica Tauane usou como exemplo sua própria vida para comentar como as questões de gênero a influenciaram. “Sou lésbica e me obriguei por muito tempo a ficar com homem porque era o que a sociedade queria. Vocês homens, por sua vez, são obrigados a serem machões. Se essas questões avançam, é bom para todo mundo”, explicou.

Após o debate, os ativistas receberam a imprensa para uma conversa sobre a campanha, ao lado de Beatriz Azeredo, diretora de responsabilidade social da TV Globo, Rafael Dragaud, diretor artístico do Criança Esperança, e Marlova Jovchelovitch Noleto, diretora da área programática da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) no Brasil.

“Está no DNA do Criança Esperança uma renovação constante. E por isso, neste ano, colocamos no centro desta discussão o jovem, que é a maioria da nossa pirâmide etária e também as principais vítimas da exclusão social, dos sérios problemas que ainda temos no sistema educacional, do racismo, do desemprego e da violência”, disse Beatriz Azeredo.

Marlova destacou uma das principais características da campanha. “O processo seletivo das instituições é feito por um edital público e transparente. Por meio dele, podemos levar recursos do Criança Esperança para lugares distantes, pequenos, que precisam muito de apoio. E é uma grande alegria ver isso acontecer.”

No telão, os convidados puderam assistir aos filmes institucionais do Criança Esperança, em que os mobilizadores convidam as pessoas a participar da campanha.

Dira, Lázaro, Flavio e Leandra lembram que é preciso transformar o presente das crianças para que elas mesmas tenham condições de transformar o seu amanhã. Com valores de R$7, R$20 e R$40, as doações serão abertas ao público na sexta-feira (18) pelos telefones 0500 2016 07;0500 2016 020; 0500 2016 040. A arrecadação será destinada a 62 instituições, de todas as regiões do país, selecionadas via edital pela UNESCO no Brasil.

O show da campanha Criança Esperança será transmitido ao vivo no dia 2 de julho e terá apresentações musicais como Luan Santana, Carlinhos Brown e crianças do The Voice Kids, além de Michel Teló e Marcelo Jeneci. Também terá apresentação de Anitta, Alcione, Diogo Nogueira e Paula Fernandes, entre outros.


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