Trump diz ao Conselho de Segurança que intensificará sanções contra Irã

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse ao Conselho de Segurança da ONU que o país irá impor sanções “mais duras do que nunca” ao Irã nos próximos meses, após a retirada unilateral no início do ano do acordo para restringir o programa nuclear iraniano, conhecido como Plano de Ação Compreensivo Conjunto (JCPOA, na sigla em inglês).

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse ao Conselho de Segurança da ONU que o país irá impor sanções “mais duras do que nunca” ao Irã nos próximos meses, após a retirada unilateral no início do ano do acordo para restringir o programa nuclear iraniano, conhecido como Plano de Ação Compreensivo Conjunto (JCPOA, na sigla em inglês).

Trump presidiu a reunião do Conselho de 15 membros, iniciada pelos EUA, para discutir maneiras pelas quais o órgão que supervisiona a paz e a segurança globais possa reforçar melhor as resoluções relativas à não proliferação de armas de destruição em massa.

No topo das preocupações do presidente, depois de expor a “importância urgente” de combater o uso de armas nucleares, biológicas e químicas em todos os lugares, estava o JCPOA, comumente conhecido como o acordo nuclear com o Irã.

O JCPOA — alcançado por Irã, China, França, Alemanha, Rússia, Reino Unido, Estados Unidos e União Europeia — estabelece mecanismos rigorosos para monitorar as restrições impostas ao programa nuclear do Irã, enquanto abre caminho para o levantamento das sanções da ONU contra o país.

“Esse acordo horrível e unilateral permitiu ao Irã continuar seu caminho em direção a uma bomba”, declarou ele. A partir de novembro, disse ele, as sanções dos EUA contra o país estarão em “força total”, e a Casa Branca imporá mais medidas. Qualquer um que não cumprir com as sanções dos EUA “enfrentará graves conseqüências”, alertou ele.

O mundo está de olho em Idlib

Abordando o destino de milhões de civis sírios efetivamente presos em Idlib, Trump agradeceu os governos sírio, russo e iraniano por se afastarem de um ataque em larga escala no início de setembro.

“Espero que a contenção continue. O mundo está observando”, disse ele, agradecendo também à Turquia por seu papel na intermediação de uma zona de proteção civil.

Afastando-se do principal tema da reunião, Trump disse que os EUA “descobriram que a China tem tentado interferir nas próximas eleições de 2018”. “Eles não querem que eu, ou nós, ganhemos, porque eu sou o primeiro presidente a desafiar a China no comércio”, afirmou, sem oferecer maiores esclarecimentos.

Em seu pronunciamento, o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, negou categoricamente qualquer envolvimento, afirmando que “a China sempre acompanhou o princípio da não interferência nos assuntos domésticos de outros países”. “Essa é uma tradição da política externa chinesa”, disse.

Ele acrescentou que a China se recusava a aceitar quaisquer acusações injustificadas. Yang também descreveu o JCPOA como uma “conquista duramente conquistada pelo multilateralismo” e um “acordo viável”, o qual o Irã estava honrando.

‘Desprezo’ pelo multilateralismo

Falando logo após o líder norte-americano, o presidente da Bolívia, Evo Morales, pintou um quadro muito diferente da dinâmica de poder do mundo e do papel dos EUA. O Irã, disse ele, foi “mais uma vez, a vítima de um cerco dos EUA” após a retirada dos norte-americanos do JCPOA.

Ele disse que os EUA estão “se escondendo atrás de pretextos para continuar sua política de interferência e intromissão” no Irã. Afirmou também que o povo do Oriente Médio sofreu uma “invasão ilegal” no Iraque, a derrubada injusta do governo na Líbia em 2011 e uma guerra civil desastrosa na Síria — tudo resultado da intromissão ocidental.

Ele acusou a Casa Branca de “desprezo pelo direito internacional, pelo multilateralismo e pelos propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas”.

A primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, disse que os membros permanentes do Conselho tinham “a responsabilidade especial de proteger os ganhos significativos” feitos para impedir o uso e o armazenamento de armas nucleares, biológicas e químicas.

Mas depois que armas químicas foram usadas repetidas vezes e com impunidade na Síria, assim como ataques isolados na Malásia e na cidade inglesa de Salisbury — assassinatos supostamente planejados — ela disse que décadas de progresso estavam sob ameaça.

“Previsibilidade e estabilidade estão em declínio. Se não aumentarmos nossos esforços coletivos para preservar e construir o que temos, existe um risco muito real de que esses ganhos diminuam ou desapareçam.”

Ela elogiou os esforços do presidente norte-americano de deter o programa nuclear da Coreia do Norte, mas pediu pressão sustentada e aplicação rigorosa das sanções.

Sobre o JCPOA, ela disse que “continua a ser o melhor meio de impedir que o Irã desenvolva uma arma nuclear, e estamos comprometidos em preservar o JCPOA enquanto o Irã continuar cumprindo suas obrigações na íntegra”. Ela ofereceu “forte apoio” à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) por seu papel de verificação e monitoramento dentro do Irã.

Sobre o uso verificado de armas químicas pelo governo sírio durante o conflito, May elogiou a ação dos EUA e da França com o Reino Unido para responder militarmente no início deste ano após os ataques. Ela disse que “enviou uma mensagem clara” ao regime de Assad. Os perpetradores do uso de armas químicas não podem escapar da identificação ou agir com impunidade. Os apoiadores do regime “devem usar sua influência” para impedir mais ataques, disse ela, prometendo uma “resposta rápida” nesse evento.

Ela acusou a Rússia de impedir que o Conselho de Segurança responsabilize o governo sírio “repetidamente, exercendo seu veto”.

Para a Rússia, o ministro das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, argumentou que a Síria havia destruído todas as suas armas químicas depois de concordar em fazê-lo em 2013, alegando que eram “grupos terroristas” que manejavam armas químicas desde então.

“Eles aprenderam a sintetizá-los, estão construindo laboratórios para isso, e isso é algo sobre o qual fomos alertados há muito tempo”, disse. Ele afirmou que a Rússia ofereceu repetidamente cooperação em um plano internacional para impedir o avanço do “terrorismo químico”.

Sobre o acordo com o Irã, Lavrov disse que a retirada dos EUA constituiu uma “séria ameaça” para o regime global de não proliferação, “ainda mais pelo fato de que Teerã está cumprindo estritamente seus compromissos”.

“A Rússia está convencida de que precisamos manter o JCPOA”, disse ele, acrescentando que, caso contrário, mais tensão será criada em todo o Oriente Médio, desestabilizando a a não-proliferação. Ele também disse que o desmantelamento do acordo prejudicaria os esforços de desnuclearizar a península coreana.