Tribunal apoiado pela ONU condena a prisão perpétua dois líderes do Khmer Vermelho em Camboja

O veredito do genocídio que matou quase 2 milhões de pessoas no regime de Pol Pot, entre 1975 e 1979, foi considerado pela ONU um “momento histórico na justiça penal internacional”.

Em Camboja, no momento em que é proferido o veredito dos acusados, Nuon Chea e Khieu Samphan. Foto: ECCC

Em Camboja, no momento em que é proferido o veredito dos acusados, Nuon Chea e Khieu Samphan. Foto: ECCC

O Tribunal em Camboja apoiado pela ONU condenou à prisão perpétua os dois líderes sobreviventes do brutal regime comunista do Khmer Vermelho em Camboja – Nuon Chea, 88, e Khieu Samphan, 83. O veredito anunciado pelo Governo do Camboja foi considerado pela ONU um “momento histórico na justiça penal internacional.” 

Ambos os acusados foram declarados culpados por assassinato, extermínio e outras acusações de crimes contra a humanidade por seus papéis no regime do ditador Pol Pot, que governou o país de 1975 a 1979. Segundo relatos, quase 2 milhões de pessoas morreram durante esse período por trabalho forçado, fome, tortura e execução. 

“Hoje é um dia muito importante para o povo do Camboja. Desde que o regime do Khmer Vermelho foi derrubado em 07 de janeiro de 1979, mais de 35 anos atrás, o povo cambojano tem lutado para reconstruir a sua sociedade”, disse o vice-primeiro ministro do Camboja, Sok An, e o secretário-geral assistente da ONU para Assuntos Jurídicos, Stephen Mathias, em um comunicado conjunto divulgado nesta quinta-feira (07). 

Durante o período do julgamento, a ONU enviou juízes internacionais, procuradores e funcionários para as Seções Extraordinárias dos Tribunais do Camboja (ECCC), um tribunal misto, criado no âmbito de um acordo de 2003 assinado pela ONU e pelo Governo. As audiências começaram em 2011 e as declarações finais foram encerradas em 31 de outubro de 2013. Durante os 222 dias de julgamento, as Câmaras ouviram os depoimentos de 92 pessoas. 

Mais de 100 mil pessoas visitaram o tribunal para assistir ao julgamento, enquanto outros milhões assistiram através das transmissões ao vivo na televisão, rádio e internet. Apesar do veredito, Nuon Chea e Khieu Samphan têm o direito de recorrer a pena imposta.