Três quartos da República Centro-Africana são controlados por coligação rebelde, alerta ONU

Opositores retomaram seus ataques esta semana afirmando que o governo falhou nos compromisso do acordo de 11 de janeiro.

Foto:Refugiados vindos da República Centro-Africana esperam pela distribuição de comida e de itens não alimentícios na cidade de Mobayi-Mbongo, República Democrática do Congo (RDC). Foto: ACNUR / D. Mbaiorem

Refugiados vindos da República Centro-Africana (RCA) esperam pela distribuição de comida e de itens não alimentícios na cidade de Mobayi-Mbongo, República Democrática do Congo (RDC). Foto: ACNUR/D. Mbaiorem

A Representante Especial do Secretário-Geral da ONU na República Centro-Africana (RCA), Margaret Vogt, alertou na quarta-feira (20) que três quartos do país são controlados pela coligação rebelde Séleka. Os conflitos foram retomados esta semana, ameaçando civis e a frágil paz alcançada no início deste ano.

Em declaração a repórteres após sessão fechada do Conselho de Segurança, Vogt lembrou que membros rebeldes da Unidade Nacional do Governo decidiram se retirar do Governo na segunda-feira (18), além de emitirem um ultimato estabelecendo condições a serem cumpridas. Sem acordo, alertaram, a luta seria retomada.

“O ultimato terminou hoje [na quarta 20] e a indicação que tínhamos foi que eles estavam preparados para permitir um pouco mais de tempo para as negociações”, disse Vogt. No entanto, os rebeldes retomaram seus ataques e invadiram uma faixa ampla do território do país, afirmando que o governo falhou nos compromisso do acordo de paz de 11 de janeiro.

O acordo havia estabelecido um pacto de cessar-fogo e a criação de um governo de unidade nacional, em que figuras da oposição seriam inseridas em postos-chave.

“Como todos sabemos, os governos de unidade nacional são extremamente difíceis de serem implementados”, observou a Representante Especial. “Eles estão cheios de todos os tipos de tensão e a situação não foi facilitada pelo fato de que temos uma rebelião que controla três quartos do país”.

Os membros do Conselho “condenaram os ataques realizados recentemente por rebeldes da Séléka, em particular na cidade de Bangassou e na região próxima, e a ameaça de uma retomada das hostilidades”, disse em um comunicado de imprensa o embaixador da Rússia, Vitaly Churkin, que detém a presidência rotativa do Conselho para este mês.

O Conselho de Segurança renovou seu pedido em uma nova declaração na sexta-feira (22), mesmo dia em que o Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, expressou preocupação com os relatos, instando todas as partes a cessar imediatamente as hostilidades.