Três em cada quatro pessoas nas Américas não sabem que têm hepatite, diz OPAS

O primeiro relatório da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) sobre as hepatites virais revelou a enorme escala dessa epidemia silenciosa no continente americano e defendeu uma resposta organizada dos países com o objetivo de prevenir, detectar e tratar as pessoas que necessitam de cuidado.

O novo relatório estimou que cerca de 2,8 milhões de pessoas apresentam infecção crônica pelo vírus da hepatite B na região e cerca de 7,2 milhões pela hepatite C. Desse total, três em cada quatro pessoas não sabem que estão infectadas.

Novo relatório da OPAS estimou que cerca de 2,8 milhões de pessoas apresentam infecção crônica pelo vírus da hepatite B na região das Américas e cerca de 7,2 milhões pela hepatite C. Foto: EBC

Novo relatório da OPAS estimou que cerca de 2,8 milhões de pessoas apresentam infecção crônica pelo vírus da hepatite B na região das Américas e cerca de 7,2 milhões pela hepatite C. Foto: EBC

O primeiro relatório da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) sobre as hepatites virais revelou a enorme escala dessa epidemia silenciosa no continente americano e defendeu uma resposta organizada dos países com o objetivo de prevenir, detectar e tratar as pessoas que necessitam de cuidado.

O novo relatório “A hepatite B e C na lupa: a resposta da saúde pública na região das Américas 2016”, divulgado na sexta-feira (13), estimou que cerca de 2,8 milhões de pessoas apresentam infecção crônica pelo vírus da hepatite B na região e cerca de 7,2 milhões pela hepatite C.

Desse total, três em cada quatro pessoas não sabem que estão infectadas. A doença pode levar a cirrose, câncer de fígado e até à morte se não for tratada a tempo.

“A hepatite é uma epidemia silenciosa, porque as pessoas infectadas não apresentam sintomas até que haja danos no fígado”, disse Massimo Ghidinelli, chefe da unidade de HIV, Hepatite, Tuberculose e Infecções Sexualmente Transmissíveis da OPAS/OMS.

“Com este informe, começamos a tornar visível a situação da doença na região e aportamos uma ferramenta para que os países possam tomar decisões informadas que orientem suas políticas nesse tema, sobretudo hoje que existem intervenções para a prevenção da hepatite B e a cura da hepatite C”, disse Ghidinelli.

Estima-se que as hepatites B e C sejam responsáveis por cerca de 125 mil mortes por ano, mais do que a tuberculose e a infecção por HIV. O relatório mostra que das 7,2 milhões de pessoas que vivem com hepatite C crônica na região, apenas 300 mil recebem tratamento, ou seja, 4%.

Estima-se que, a cada ano, cerca de 65 mil pessoas sejam infectadas com o vírus da hepatite C. Embora novos tratamentos tenham o potencial de curar cerca de 90% dos infectados com hepatite C e reduzir o risco de morte por câncer de fígado ou cirrose, estes ainda não são totalmente acessíveis por conta do alto custo, e apenas 19 países os financiam, de acordo o relatório.

A hepatite B pode ser transmitida de mãe para filho no momento do parto, entre outras vias. Mas a vacinação de todos os recém-nascidos pode prevenir a infecção em 95% dos casos, além de proteger as gerações futuras dessa infecção durante toda a sua vida.

De acordo com o relatório, todos os países da região vacinam crianças menores de 1 ano contra a hepatite B. Mas 31% não o fazem nas primeiras 24 horas após o nascimento – em desconformidade com o que recomenda a OMS.

O relatório também revela que, em 2014, 15 países da região realizaram cerca de 18,1 mil transplantes de fígado. No entanto, a maioria deles (82%) foi realizada nos Estados Unidos.

Em 2015, os ministros da saúde das Américas fecharam acordo para adotar uma série de medidas com o objetivo de prevenir e controlar a infecção por hepatites virais no Plano Regional da OPAS para as Hepatites Virais 2015-2019, com destaque para a hepatite B e C.

O mundo busca acabar com as hepatites como um problema de saúde pública até 2030. Entre outras ações, o plano propõe que os países formulem planos nacionais, ampliem a vacinação contra a hepatite B a todas as crianças menores de 1 ano e a grupos populacionais de alto risco e vulneráveis; realizem campanhas de informação e busquem opções para ampliar o acesso aos medicamentos.