Travessia do Mediterrâneo: Mais de 300 migrantes e refugiados morreram ou estão desaparecidos

Série de tragédias no começo desta semana foi confirmada pela agência da ONU para refugiados (ACNUR), que criticou duramente a política europeia para o tema. Desaparecidos vinham principalmente da África Subsaariana, após deixarem a costa da Líbia em quatro botes.

Um menino cercado de adultos depois do resgate, em junho de 2014, de uma embarcação no Mar Mediterrâneo. Foto: ACNUR/A. D’Amato

Um menino cercado de adultos depois do resgate, em junho de 2014, de uma embarcação no Mar Mediterrâneo. Foto: ACNUR/A. D’Amato

Com a revisão do número de refugiados e migrantes desaparecidos durante a travessia do Mediterrâneo para a Europa passando de 29 para 300, o diretor do escritório europeu da agência da ONU para os refugiados (ACNUR), Vincent Cochetel, afirmou nesta quarta-feira (11) que essa tragédia é um “duro lembrete” de que “mais vidas serão perdidas se aqueles que buscam segurança forem deixados à mercê do mar”.

Após informar que apenas 29 pessoas tinham falecido ao mar, o ACNUR reuniu os relatórios da Guarda Costeira italiana e dos sobreviventes que chegaram a Lampedusa, na Itália, e descobriu que a informação inicial do número de pessoas que tentaram cruzar o Mediterrâneo tinha sido subestimada.

No total, quatro embarcações saíram da costa Líbia, mas uma delas continua desaparecida. Na primeira, encontrada pela guarda costeira italiana, 110 pessoas foram resgatadas, mas 29 morreram, a maioria de hipotermia. Em outra embarcação, apenas dois dos 107 passageiros sobreviveram, enquanto em outra sete dos 109 foram resgatados com vida.

A agência da ONU reitera sua preocupação com a falta de uma operação de busca e resgate eficiente no Mediterrâneo e pede mais esforços dos países europeus para salvar vidas e lidar com o tamanho dessa crise. Para a agência, a substituição no ano passado da operação italiana, chamada Mare Nostrum, pela Triton, da União Europeia, representou um retrocesso na capacidade de busca e resgate.

Enquanto a campanha italiana resgatava também aqueles longe das costas europeias e perto do ponto de embarque dos navios irregulares, a Triton foca na assistência daqueles que chegam ao litoral do continente europeu.

As primeiras semanas de 2015 já registraram números superiores de migrantes empreendendo essa travessia comparados ao mesmo período do ano passado. Só em janeiro, a agência documentou 3.528 recém-chegados na Itália, comparado aos 2.171 do ano passado.

A agência da ONU lembra que em 2014 mais de 218 mil pessoas cruzaram o Mediterrâneo, sendo que cerca de 3.500 morreram durante o trajeto. A Itália é o país que mais recebe os migrantes, contabilizando até agosto de 2014 mais de 108 mil.