Transição política na Síria é principal batalha nas negociações de paz, diz mediador da ONU

Staffan de Mistura disse que a natureza do governo transitório no país é o principal ponto de divergência entre governo e oposição síria nas tratativas mediadas pelas Nações Unidas.

Área destruída de Khalidiya, no centro antigo de Homs, Síria. Foto: ACNUR/Andrew McConnell

Área destruída de Khalidiya, no centro antigo de Homs, Síria. Foto: ACNUR/Andrew McConnell

O mediador da ONU para as negociações de paz na Síria disse na segunda-feira (21) que a transição política é a “mãe de todas as batalhas” nas tratativas de paz em andamento envolvendo o governo e a oposição no país.

Ao falar a jornalistas em Genebra, o enviado especial das Nações Unidas, Staffan de Mistura, disse que a mera troca de documentos entre governo e oposição não resolverá a situação do país, sendo necessário se chegar a algum consenso sobre os temas tratados.

As conversas entre o governo e a oposição síria, mediadas pela ONU, têm como objetivo instaurar um governo de transição no país, segundo a imprensa internacional. No entanto, não existe acordo sobre qual será a natureza desse governo transitório, e se este será dirigido pelo presidente Bashar Al-Assad.

O oficial da ONU disse ter questionado na segunda-feira o negociador do governo sírio, Bashar Al-Jaafari, em relação à interpretação do governo sírio sobre a transição política.

“Essa é uma pergunta que eu levantei a ele hoje. E ele disse que ainda era ‘prematuro’ falar sobre isso”, disse Staffan de Mistura. “Está claro que a transição política é a mãe de todas as batalhas”, declarou.

A questão do terrorismo também aparece como outro ponto de divergência. O governo sírio tem sua própria análise do conceito de terrorismo, enquanto as Nações Unidas estabelecem como terroristas as organizações apontadas como tal pelo Conselho de Segurança.

O negociador da ONU enfatizou também a necessidade de se acelerar o processo de negociação e transição política no país, para que haja avanços enquanto a interrupção de hostilidades entre os dois lados permanece em vigor.