Tráfico de animais selvagens está organizado em ‘larga escala’, alerta agência da ONU

“Os caçadores e outros criminosos estão conduzindo os elefantes, rinocerontes, tigres e muitas outras espécies à beira da extinção, em todo o mundo”, disse chefe do UNODC, apontando que milhares de pessoas também são vítimas.

Carcaça de um elefante que morreu devido à caça ilegal no parque nacional de Zakouma, no Chade. Foto: CITES/PNUMA/Darren Potgieter

Carcaça de um elefante que morreu devido à caça ilegal no parque nacional de Zakouma, no Chade. Foto: CITES/PNUMA/Darren Potgieter

O diretor executivo do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), Yury Fedotov, pediu que os Estados fortaleçam os esforços globais para combater a caça ilegal e o tráfico ilícito de animais selvagens.

Falando durante uma reunião paralela à sessão da Assembleia Geral da ONU, Fedotov alertou que a caça e o tráfico de animais selvagens se constitui hoje como um crime organizado transnacional que está sendo realizada em uma “grande escala”. O evento foi organizado pelo presidente do Gabão, Ali Bongo Ondimba, e o ministro das Relações Exteriores alemão, Guido Westerwelle.

“Os caçadores e outros criminosos estão conduzindo os elefantes, rinocerontes, tigres e muitas outras espécies à beira da extinção, em todo o mundo”, disse ele. “Esses criminosos estão destruindo a subsistência local, perturbando os frágeis ecossistemas e impedindo o desenvolvimento social e econômico. Eles estão alimentando a violência e a corrupção, e minando o Estado de Direito.”

Fedotov chamou os Estados a considerar a caça e o tráfico de animais selvagens como infracções penais graves. “Sistemas de justiça criminal e legislativos devem ser reforçados, e é preciso fazer mais para reduzir a demanda pelo comércio ilegal de animais selvagens”, acrescentou.

“Precisamos aumentar a conscientização sobre a devastação causada pelos mercados de marfim, chifre de rinoceronte, carne de caça, papagaios exóticos e barbatanas de tubarão. Temos que conscientizar os consumidores de que este crime possui muitas vítimas”, disse Fedotov.