Traficantes jogam centenas de migrantes africanos ao mar no trajeto para o Iêmen

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Cerca de 300 migrantes africanos foram jogados ao mar por contrabandistas do litoral do Iêmen nesta semana. Acredita-se que muitas das vítimas estejam mortas ou desaparecidas, informou na quinta-feira (10) a Organização Internacional para as Migrações (OIM).

“Os sobreviventes contaram que foram empurrados ao mar quando um contrabandista viu o que pareciam ser autoridades perto da costa”, disse o chefe da missão da OIM para o Iêmen, Laurent de Boeck.

Funcionários da OIM apoiam migrantes somalis e etíopes jogados ao mar por traficantes de pessoas. Foto: OIM

Funcionários da OIM apoiam migrantes somalis e etíopes jogados ao mar por traficantes de pessoas. Foto: OIM

Cerca de 300 migrantes africanos foram jogados ao mar por contrabandistas do litoral do Iêmen nesta semana. Acredita-se que muitas das vítimas estejam mortas ou desaparecidas, informou na quinta-feira (10) a Organização Internacional para as Migrações (OIM).

“Os sobreviventes contaram que foram empurrados ao mar quando um contrabandista viu o que pareciam ser autoridades perto da costa”, disse o chefe da missão da OIM para o Iêmen, Laurent de Boeck.

Segundo a OIM, os migrantes relataram que o traficante retornou à Somália para continuar seus negócios e transportar mais pessoas pelo mesmo trajeto. “Isso é chocante e desumano. O sofrimento dos migrantes nesta rota de migração é enorme. Muitos jovens pagam contrabandistas com a falsa esperança de um futuro melhor”, acrescentou Boeck.

Esse incidente ocorreu quase 24 horas depois que outro grupo criminoso forçou mais de 120 somalianos e etíopes ao mar, próximo à costa da província iemenita de Shabwa, resultando no afogamento de cerca de 50 pessoas. Os migrantes esperavam chegar aos países do Golfo através do Iêmen, local devastado pela guerra.

Pouco depois da última tragédia, a equipe da OIM encontrou 29 sepulturas rasas em uma praia em Shabwa, durante uma patrulha de rotina. Acredita-se que os mortos tenham sido rapidamente enterrados por aqueles que sobreviveram às ações do contrabandista. A idade média aproximada dos passageiros no barco era 16 anos.

“O secretário-geral está consternado com essa tragédia contínua”, disse o porta-voz de António Guterres, Stéphane Dujarric, em coletiva de imprensa em Nova Iorque.

“É por essa razão que ele continua a enfatizar que a comunidade internacional deve trabalhar para prevenir e a resolver de várias situações que geram o deslocamento em massa e que expõem migrantes a um perigo significativo”, acrescentou. Guterres ressaltou ainda a necessidade de aumentar os meios legais para a migração regular e oferecer alternativas viáveis a esses perigosos cruzamentos para pessoas que precisam de proteção internacional.

Desde janeiro deste ano, a OIM estima que cerca de 55 mil migrantes deixaram a região do Chifre da África para chegar ao Iêmen, a maioria com o objetivo de encontrar melhores oportunidades nos países do Golfo. Desses, mais de 30 mil têm menos de 18 anos e vêm da Somália e da Etiópia, enquanto um terço são mulheres.

A jornada é especialmente perigosa durante a temporada de ventos fortes no Oceano Índico. Os contrabandistas atuam no Mar Vermelho e no Golfo de Áden, oferecendo falsas promessas àqueles em situação de vulnerabilidade.

A OIM e seus parceiros operam em toda a região para apoiar esses migrantes, oferecendo assistência vital aos que sofrem situações de abuso.


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