Togo revisa modelos de alimentação escolar com apoio de Centro de Excelência contra a Fome

O governo do Togo está revisando seus modelos de alimentação escolar e solicitou o apoio do Centro de Excelência contra a Fome — fruto de uma parceria entre o governo brasileiro e o Programa Mundial de Alimentos (PMA) — para avaliar o modelo comunitário que está sendo testado em todas as regiões do país.

Essa nova abordagem foi iniciada pelo governo do Togo em escolas-piloto em 2018 e enfatiza a participação comunitária na implementação do programa de alimentação escolar. Para realizar essa avaliação, o Centro de Excelência fez uma missão técnica no país de 12 a 18 de março, com apoio do escritório local do PMA.

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O governo do Togo está revisando seus modelos de alimentação escolar e solicitou o apoio do Centro de Excelência contra a Fome — fruto de uma parceria entre o governo brasileiro e o Programa Mundial de Alimentos (PMA) — para avaliar o modelo comunitário que está sendo testado em todas as regiões do país.

Essa nova abordagem foi iniciada pelo governo do Togo em escolas-piloto em 2018 e enfatiza a participação comunitária na implementação do programa de alimentação escolar. Para realizar essa avaliação, o Centro de Excelência fez uma missão técnica no país de 12 a 18 de março, com apoio do escritório local do PMA.

Durante a missão, Mariana Rocha, especialista do Centro, reuniu-se com representantes do governo e do PMA, e realizou uma visita de campo ao município de Blitta, na região central do país.

O objetivo foi ver de perto como o modelo está funcionando e avaliar sua viabilidade para expansão a outras escolas, de acordo com alguns aspectos: mobilização comunitária, infraestrutura, transferência de recursos, produção local de alimentos, fornecimento e armazenamento de alimentos, cardápios e prestação de contas.

Os achados dessa avaliação vão servir de base para uma análise mais ampla da implementação de diferentes modelos de alimentação escolar no país, com recomendações sobre como avançar para a adoção de uma abordagem de escolas de excelência.

A escola primária visitada na viagem de campo está localizada na zona rural de Blitta, com 112 alunos, dos quais 48 são meninas. Os estudantes recebem refeições quentes três vezes por semana, a partir de um cardápio que privilegia os hábitos alimentares e as culturas agrícolas locais.

A comida é preparada por dez mães que se alternam na cozinha. As famílias também contribuem para o programa com a doação de parte de sua produção agrícola. Os demais alimentos são comprados semanalmente no mercado de Blitta, com recursos transferidos pela agência do governo federal responsável pelo programa de alimentação escolar, ANADEB.

Essa escola foi escolhida para a fase piloto do modelo comunitário após uma demanda da própria comunidade pela implantação de um programa de alimentação escolar na escola. A comunidade escolar passou por um processo de mobilização, apoiado pela coordenação regional da ANADEB, que conduziu sessões de capacitação em temas como organização das contribuições comunitárias ao programa, compra de alimentos e preparação das refeições.

Um aspecto positivo do modelo comunitário é que está baseado na consulta e num processo sólido de mobilização das comunidades locais. O modelo aproveita estrutura existentes, como os comitês de pais, e integra o perfil agrícola da população. O programa permite que os pais contribuam para a alimentação escolar com os alimentos que produzem, em vez de pagar uma taxa em dinheiro.

O programa também valoriza os produtos locais e utiliza cadeias curtas de fornecimento para comprar os itens alimentares utilizados nas refeições, com fundos transferidos diretamente para as escolas. A abordagem comunitária tem grande potencial para a realização de ações coordenadas por diferentes setores para intervenções em diversos aspectos do desenvolvimento local, como nutrição, acesso à água e saneamento, saúde e agricultura.