Todos os países têm responsabilidade de proteger cidadãos dos crimes de ódio, diz Bachelet

A principal autoridade da ONU para os direitos humanos adicionou sua voz à condenação global aos ataques ocorridos nas cidades de El Paso e Dayton no fim de semana, insistindo nesta terça-feira (6) que “não apenas os Estados Unidos, mas todos os países” devem fazer mais para acabar com a discriminação.

Falando a jornalistas em Genebra, o porta-voz de Michelle Bachelet, Rupert Colville, do Escritório do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos (ACNUDH), elogiou a condenação norte-americana ao “racismo, ódio e à supremacia branca” após essas “duas horríveis tragédias” que deixaram 29 mortos no Texas e em Ohio no sábado (3).

“Condenamos inequivocamente o racismo, a xenofobia e a intolerância, incluindo a supremacia branca, e chamamos todos os Estados, não só os Estados Unidos, mas todos os países, a tomar passos positivos para erradicar a discriminação”, disse Colville.

Michelle Bachelet discursa como presidente do Chile em sessão especial do Conselho de Direitos Humanos da ONU em março de 2017. Foto: ONU/Jean-Marc Ferre

Michelle Bachelet discursa em sessão especial do Conselho de Direitos Humanos da ONU em março de 2017. Foto: ONU/Jean-Marc Ferre

A principal autoridade da ONU para os direitos humanos adicionou sua voz à condenação global aos ataques ocorridos nas cidades de El Paso e Dayton no fim de semana, insistindo nesta terça-feira (6) que “não apenas os Estados Unidos, mas todos os países” devem fazer mais para acabar com a discriminação.

Falando a jornalistas em Genebra, o porta-voz de Michelle Bachelet, Rupert Colville, do Escritório do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos (ACNUDH), elogiou a condenação norte-americana ao “racismo, ódio e à supremacia branca” após essas “duas horríveis tragédias” que deixaram 29 mortos no Texas e em Ohio no sábado (3).

“Condenamos inequivocamente o racismo, a xenofobia e a intolerância, incluindo a supremacia branca, e chamamos todos os Estados, não só os Estados Unidos, mas todos os países, a tomar passos positivos para erradicar a discriminação”, disse Colville.

As declarações ecoam comentários feitos na segunda-feira (5) pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, após os ataques, nos quais ele manifestou solidariedade “às pessoas e aos governos de Estados Unidos e México, de onde vinham grande parte daqueles que foram mortos ou ficaram feridos no ataque de El Paso”.

Em seu comunicado, Guterres também enfatizou a necessidade de “todos trabalharem juntos para combater a violência baseada em ódio, racismo, xenofobia e todas as formas de discriminação”.

Questionado se a retórica do presidente norte-americano, Donald Trump, teria contribuído para os recentes atos de violência, Colville respondeu que todas as autoridades devem garantir que suas ações não contribuam de nenhuma forma para atitudes públicas discriminatórias, ou que estigmatizem e desumanizem minorias.

Isso inclui refugiados, migrantes, mulheres, população LGBTI e qualquer outra, disse, lembrando que a menos que as autoridades se responsabilizem, esses grupos permanecerão vulneráveis a represálias e ataques.

Sobre as referências de Trump a uma nova lei que incluiria a pena de morte para crimes de ódio e atiradores, Colville enfatizou que o ACNUDH se opõe à pena de morte em todas as circunstâncias, e que esta não tem lugar no século 21.

Os crimes de ódio precisam ser combatidos junto a suas causas, acrescentou o porta-voz, mas novas leis precisam ser escritas com muito cuidado, para que levem em consideração os direitos humanos e a liberdade.

Sobre a possibilidade de pessoas com distúrbios mentais serem apontadas como responsáveis pelos ataques, Colville citou o ex-alto-comissário da ONU para os direitos humanos Zeid Ra’ad Al Hussein, segundo o qual era “difícil encontrar uma justificativa racional para explicar a facilidade com a qual pessoas podem comprar armas de fogo — incluindo rifles de assalto, apesar de um histórico de criminalidade, uso de drogas, violência doméstica e doenças mentais ou de contato direto com extremistas — tanto nacional como internacionalmente”.

Refletindo sobre medidas que poderiam interromper o crescimento dos crimes de ódio nos EUA e em outros países — e sua amplificação via mídias sociais —, Colville pediu que empresas de comunicação online e governos trabalhem juntos para garantir que os direitos humanos sejam considerados nas legislações e políticas em elaboração, e que os produtos de mídia social ajudem a identificar e reduzir riscos.