Todos devem ajudar a reverter ‘dinâmica negativa’ no Oriente Médio, afirma ONU

Secretário-geral assistente das Nações Unidas para assuntos políticos, Oscar Fernandez-Taranco alerta que combates na Síria estão mais violentos e processo de paz entre Israel e Palestina está estagnado.

Secretário-geral assistente da ONU para assuntos políticos, Oscar Fernandez-Taranco. Foto: ONU/Evan Schneider

Secretário-geral assistente da ONU para assuntos políticos, Oscar Fernandez-Taranco. Foto: ONU/Evan Schneider

Com o Oriente Médio sofrendo “dias perigosos e trágicos” de novo, o Conselho de Segurança da ONU e a comunidade internacional devem manter-se firmes em favor da paz e ajudar a reverter a “dinâmica negativa” da crise da Síria e aprofundar o processo de paz entre Israel e Palestina. A avaliação é do secretário-geral assistente da ONU para assuntos políticos, Oscar Fernandez-Taranco.

“A guerra está, mais uma vez, destruindo vidas e enterrando esperanças”, disse Fernandez-Taranco nesta terça-feira (25) ao Conselho. Ele acrescentou que a série atual de desafios pela qual passa o Oriente Médio é um “duro teste” para os princípios e valores da Carta da ONU.

Segundo Fernandez-Taranco, Israel liberou dados que mostram aumento de 176% no número novas unidades habitacionais nos assentamentos da Cisjordânia no primeiro trimestre de 2013, o que viola a lei internacional e prejudica a solução dos dois Estados.

Além disso, a contínua violência entre palestinos e colonos na Cisjordânia, os ataques com foguetes partindo de Gaza para Israel, os confrontos durante os protestos palestinos na Cisjordânia e a invasão de operações humanas em Gaza têm contribuído para a crescente tensão na região, ressaltou o secretário-geral assistente.

“O único caminho possível é a plena aplicação do acordo de cessar-fogo promulgado em 21 de novembro [de 2012] no Egito”, disse.

Em relação à Síria, Fernandez-Taranco advertiu que a situação continua a deteriorar-se por causa de um confronto militar violento. Ele expressou preocupação com o envolvimento direto dos combatentes do Hezbollah no interior do país e ressaltou que o aumento do apoio militar para ambos os lados só promete uma nova escalada do conflito.

O secretário-geral assistente observou que o impacto negativo do conflito no Líbano começou a ser mais evidente nas últimas semanas e reiterou a importância de o Líbano aderir à Declaração de Baabda – que procura manter o país neutro em acontecimentos regionais – e do compromisso de líderes libaneses em evitar que o conflito se espalhe.

Desde o início do conflito na Síria em 2011, mais de 93 mil pessoas foram mortas, cerca de 1,6 milhão se refugiaram em países vizinhos e mais de 6,8 milhões precisam de assistência humanitária.