Tiros de morteiro da Síria matam seis pessoas em cidade turca e preocupam Ban Ki-moon

Em resposta aos ataques, a Turquia bombardeou a Síria ontem e na madrugada de hoje (4), na região da fronteira. ACNUR alerta para alto fluxo migratório.

Senhora síria no campo de refugiados de Akcacale, na Turquia (UNHCR/A. Branthwaite)

Na cidade turca de Akcacale, próxima da fronteira com a Síria, pelo menos seis civis foram mortos e outros gravemente feridos. As mortes ocorreram ontem (3) devido a tiros de morteiro do Governo da Síria que atingiram a cidade, localizada na província de Sanliurfa, no sudeste do país. O Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, demonstrou preocupação em relação às atrocidades.

“O incidente de hoje (ontem), onde o disparo da Síria atingiu uma cidade turca, voltam a demonstrar como o conflito sírio está ameaçando não só a segurança do seu próprio povo, mas cada vez mais causando danos a seus vizinhos”, disse Ban.  Em resposta aos ataques, a Turquia bombardeou a Síria ontem e na madrugada de hoje (4), na região da fronteira.

Na capital Damasco e em todo o país, mais de 18.000 pessoas, a maioria civis, morreram desde que a revolta contra o regime do presidente Bashar al-Assad começou, no ano passado. Mais de 2,5 milhões de sírios precisam urgentemente de ajuda humanitária, de acordo com estimativas da ONU. Cerca de 300 mil já atravessaram as fronteiras em busca de refúgio nos países vizinhos.

ACNUR alerta para alto fluxo migratório

O fluxo de saídas de pessoas no país preocupa o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR). A agência pediu para que as políticas de ajuda aos refugiados sejam reforçadas, não só na Síria, mas em outras regiões onde há um alto fluxo de migração. Ao todo, existem mais de 42 milhões de pessoas no mundo que foram deslocadas de suas casas e requerem uma nova moradia. Além do país de Bashar al-Assad, Mali, Sudão, Sudão do Sul e República Democrática do Congo (RDC) são nações onde há grande deslocamento de civis.

A Alta Comissária Assistente do ACNUR de Proteção, Erika Feller, elogiou a cooperação dos países vizinhos com os refugiados. No entanto, pediu mais ações das nações acolhedoras. “Seus objetivos devem incluir sistemas mais fortes de asilo nacionais e não apenas a sua substituição, e que os Estados compartilhem de forma mais equitativa os encargos e responsabilidades para proteger os refugiados”, disse Feller.