Testemunha de crimes de guerra em Kosovo declara-se culpada por desacato a Tribunal

Depoimento de ex-integrante do Exército de Libertação de Kosovo poderia condenar ex-Primeiro-Ministro Ramush Haradinaj por tortura e assassinato de prisioneiros.

O ex-integrante do Exército de Libertação de Kosovo (ELK), Shefqet Kabashi, declarou-se culpado hoje (26/08) por desacato ao Tribunal Penal Internacional para a Antiga Iugoslávia (TPII), em sessão de apelação em Haia depois de ser preso no começo deste mês por autoridades holandesas.

Em 2007, durante o julgamento do ex-Primeiro-Ministro de Kosovo e Comandante do ELK Ramush Haradinaj, ele era considerado testemunha-chave e recusou-se a depor sobre o conflito com sérvios entre os anos de 1998-99.

O TPII absolveu Haradinaj em 2008 das acusações de assassinato, estupro, tortura, sequestro, tratamento cruel, aprisionamento e deportação forçada de civis por perseguição étnica. A Corte de Apelação contestou a decisão no ano passado por considerar que o TPII errou ao não assegurar o depoimento de algumas testemunhas que sofreram “séria intimidação”, privando a promotoria de apoio vital para o caso.

No começo deste mês, o TPII afirmou que o testemunho de Kabashi era relevante por estar relacionado à suposta responsabilidade de Haradinaj e dois coautores – Idriz Balaj e Lahi Brahimaj – em seis acusações de tortura e assassinato de prisioneiros na sede do ELK e na prisão Jablanica/Jabllanicë.