Terremoto no Haiti, 4 anos depois: ONU financia projeto de água potável em áreas de difícil acesso

Novo sistema de distribuição de água muda vida dos habitantes de Bois Pin, que nunca tinham tido acesso à água potável. Em Ile de la Tortue, novas cisternas beneficiam mais de 350 pessoas. Missão de paz contribuiu com 65 mil dólares para iniciativa de parceiros.

Bois Pin. Foto: MINUSTAH/Louicius Micius Eugène

Quatro anos após o terremoto que mergulhou o Haiti em uma crise humanitária ainda mais profunda, as Nações Unidas continuam trabalhando em diversas frentes no país. Entre os mais de cem projetos de impacto rápido financiados pela Missão da ONU para a Estabilização no país (MINUSTAH), estão iniciativas para levar água potável a regiões de difícil acesso.

Um novo sistema de recolhimento e distribuição de água potável na cidade montanhosa de Bois Pin, na comuna de Lascahobas no Planalto Central, mudou o modo de viver da população.

“Aqui era um inferno”, lembra a jovem moradora Nahomie Pierre. Antes do projeto, Pierre começava sua caminhada no meio da madrugada para levar água de volta para casa a tempo de mandar as crianças para a escola.

Inaugurado no segundo semestre do ano passado, o novo sistema tem ajudado a criar três fontes e abastecer cinco outras anteriormente construídas em cidades vizinhas. Também criou 2 mil metros lineares de tubulação para levar água para a comunidade.

É a primeira vez na história da cidade que os moradores têm acesso à água potável. Convencidos de que eles nunca mais voltarão a usar água de nascentes – muitas vezes contaminada por fezes de animais domésticos e seres humanos – alguns moradores se apresentaram como voluntários para formar um Comitê Gestor para sustentar o bom funcionamento do sistema.

“Fiz um acordo com a empresa encarregada da execução do projeto para adquirir um conhecimento básico sobre canalização, o que me permite trabalhar na rede caso haja alguma falha primária [no sistema]”, diz Michelet, um dos membros do Comitê Gestor.

Já na Ile de la Tortue, região Noroeste do Haiti, pouco mais de 350 pessoas tiveram acesso à água potável por meio da construção de 11 grandes cisternas inauguradas no fim de 2013.

“O fornecimento de água potável para a ilha e a melhora da segurança pública são prioridades para o desenvolvimento da Ile de la Tortue, que tem cerca de 45 mil habitantes”, explicou o vice-prefeito, Joseph-Liverdieu Dorceus.

Conhecida como o refúgio dos piratas, a ilha continua sendo um território distante que carece da presença do Estado. Até o momento, 775 cisternas foram construídas no local, mas nem toda a ilha tem acesso à água potável.

O projeto na Ile de la Tortue já recebeu 18 mil dólares da MINUSTAH, que além de ajudar a construir as cisternas, também aplicou cursos em atividades de curta duração para a população aprender sobre higiene e prevenção das doenças relacionadas à água, incluindo cólera.

A MINUSTAH contribuiu com 65 mil dólares para o projeto, que é uma iniciativa de duas organizações locais, a Coordenação de ações para a saúde e o desenvolvimento do Haiti e a Associação dos Produtores para o Desenvolvimento Agrícola Juampas Bois Pin.

O Haiti foi atingido por um terremoto de 7,3 graus na escala Richter em 12 de janeiro de 2010. Estima-se que 220 mil pessoas morreram, incluindo 102 funcionários das Nações Unidas – a maior perda já registrada em missão. Dentre as 21 vítimas brasileiras, o vice-representante especial do secretário-geral da ONU, Luiz Carlos da Costa. O tremor também provocou o deslocamento de cerca de 1,5 milhão de pessoas. Para saber mais sobre as atividades dos trabalhadores das forças de paz, clique aqui.