Terremoto no Haiti, 4 anos depois: ONU apoia proteção de iguanas para ajudar reflorestamento

Programa desestimula caça e cria área de proteção para espécies em risco de extinção. Sementes expelidas por esses répteis são mais facilmente germinadas. País tem menos de 2% da camada florestal original.

Foto: MINUSTAH/Patrick Mackintosh Jean

Quatro anos após o terremoto que mergulhou o Haiti em uma crise humanitária ainda mais profunda, as Nações Unidas continuam trabalhando em diversas frentes no país. Para ajudar na recuperação ambiental, por exemplo, a Organização apoia projetos de impacto rápido nas regiões de Belle Anse, Grand Gosier, Thiotte e Anse-à-Pitre.

Uma das iniciativas é para proteger duas espécias de iguanas – cyclura ricordii e cyclura cornuta – da ameaça de extinção. Vitais para a biodiversidade da região de Anse-à-Pitre, elas são caçadas pela população.

Segundo a veterinária e representante da Fundação Internacional Iguana, Masani S. Accimé, esses répteis têm a habilidade de ajudar no reflorestamento de um país, cuja cobertura vegetal não ultrapassa 2%. Algumas das sementes ingeridas por conta dos hábitos alimentares não são digeridas por esses animais, que as expelem nas fezes, fazendo com que germinem mais rapidamente.

Essas iguanas estão na “Lista Vermelha” da União Internacional para a Conservação da Natureza como répteis em perigo de extinção. No entanto, os esforços do governo e de indivíduos parecem estar longe de desencorajar a caça desses animais, já que seu sabor e seu valor de mercado são muito apreciados no sudeste do país.

Com as taxas alarmantes de desaparecimento dessas duas espécies, membros da sociedade civil e de organizações internacionais em conjunto com as autoridades locais optaram pela criação de uma área protegida, o “Parc Caique Henri”.

“Controlar a degradação do habitat e a caça dos animais em áreas específicas e limitadas e proibir a produção de carvão” na cidade de Anse-à-Pitre deve fazer parte das medidas para proteger a vida das espécies animais e vegetais em perigo, aconselha o biólogo Wesner Saint-Cyr.

Accimé acrescenta que a proteção das iguanas poderá ajudar outras espécies no futuro. A veterinária espera que a decisão de criar um habitat especial seja associada aos acordos feitos por Cuba, República Dominicana e Haiti em 2007 sobre a criação de um corredor biológico entre os três países caribenhos.

A proteção do meio ambiente no Haiti é uma luta do Programa da ONU para o Meio Ambiente, do Programa da ONU para o Desenvolvimento, da UNESCO, e da Missão da ONU para a Estabilização no país.

O Haiti foi atingido por um terremoto de 7,3 graus na escala Richter em 12 de janeiro de 2010. Estima-se que 220 mil pessoas morreram, incluindo 102 funcionários das Nações Unidas – a maior perda já registrada em missão. Dentre as 21 vítimas brasileiras, o vice-representante especial do secretário-geral da ONU, Luiz Carlos da Costa. O tremor também provocou o deslocamento de cerca de 1,5 milhão de pessoas. Para saber mais sobre as atividades dos trabalhadores das forças de paz, clique aqui.